Tiago Queiroz/Estadão - 05/10/21
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Liberação do uso de máscara ao ar livre em SP em dezembro não é precipitada; leia análise

Temos motivos para acreditar que estamos em uma situação melhor do que antes, com forte adesão à vacinação

Vitor Mori*, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2021 | 05h00

Não acho que a decisão de flexibilizar o uso de máscara ao ar livre em São Paulo seja precipitada. Muitos lugares no Brasil, e até fora dele, já adotaram essa medida com sucesso. A transmissão é predominante em espaços fechados, em que as partículas do vírus vão se acumulando e acabam sendo inaladas. Menos de 1% das transmissões acontecem ao ar livre, uma porcentagem muito baixa.

Se há um local em que dá para se flexibilizar, é ao ar livre. O mais importante é comunicar para a população que sair ao ar livre é mais seguro. Há uma fadiga da população quanto às medidas, não dá para ficar exigindo o mesmo empenho do início da pandemia. Nesse contexto, vale mais a pena flexibilizar o uso de máscaras só em locais seguros do que “liberar geral”.

Se a flexibilização for combinada com uma boa comunicação e com a manutenção das medidas de segurança adotadas em espaço fechado, pode ser uma boa. A gente deveria estar reforçando o uso das máscaras em espaços fechados, de preferência a máscara PFF2, que protege mais. A população tem condição de compreender essas nuances. Talvez o grande erro da Europa é que muitos países liberaram as máscaras em locais fechados precocemente.

O Brasil tem motivos para acreditar que estamos em uma situação melhor do que antes, com a forte adesão das pessoas à vacinação e uma perspectiva de avançar ainda mais. O que não dá é para abrir mão do uso de máscara em espaço fechado. Liberar as máscaras em espaço fechado deve ser uma das últimas medidas, senão a última, a ser flexibilizada.

*FÍSICO E PESQUISADOR DA UNIVERSIDADE DE VERMONT

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