Prefeitura de Limeira
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Vizinhos relaxam na limpeza, diz família de idosa vítima de dengue

Parentes de mulher de 81 anos tiveram a rotina alterada depois da morte da avó; há queixas em relação a demora no atendimento

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

06 Outubro 2015 | 03h00

A família de Eunice Elpídia de Souza, que morreu em abril, aos 81 anos, vítima da dengue, ainda não se refez da perda. Apesar da idade, a mulher cuidava dos seis netos enquanto o filho, Carlos Eduardo Souza, desossador em um abatedouro de aves, e a nora, Claudete, operadora de telemarketing, trabalhavam fora. Segundo ele, as crianças ainda choram de saudade.

“Depois que ela morreu, minha mulher pediu demissão para cuidar das crianças. Alguns meses depois, o abatedouro fechou”, conta Souza.

Ele lembra que dona Eunice plantava verduras na horta da casa, no Jardim Novo Mundo, limite entre Sorocaba e Votorantim, quando passou mal. “Ela reclamou de dores no corpo, mas achamos que era do esforço, pois ela pegava na enxada direto para limpar o mato e fazer canteiros.” Na primeira visita a uma unidade de saúde, veio o diagnóstico da dengue. “Aí fomos saber que a doença estava esparramada no bairro, que também estava infestado do tal mosquito.”

O filho conta que a mãe teve uma melhora no dia seguinte, mas voltou a passar mal. Desta vez, acabou internada e, dois dias depois, morreu. “Foi uma dor grande, ela era muito querida. Minha caçula, que era mais apegada nela, também pegou dengue. Foi um desespero, achei que a gente ia perder ela também, mas se recuperou.” Carlos descobriu que havia criadouros do mosquito no quintal. “Limpamos tudo e não tem perigo que fique água parada por aqui. O problema é que vizinhos estão relaxando.”

Não faltam registros dos mortos na internet. Como é o caso da jovem Fiama Taís dos Santos, de 22 anos, que sonhava em ser modelo, mas morreu no dia 19 de abril, depois de ser diagnosticada com dengue. Ela vivia em Pirassununga, mas estava na casa da mãe, em Tambaú, quando precisou ser internada. A garota foi atendida duas vezes no pronto-socorro municipal, antes de morrer. Anteriormente, havia sido atendida, ainda em Pirassununga, em um hospital particular. Na época, familiares reclamaram da demora no atendimento.

Médica. E além das tragédias familiares, houve casos que mobilizaram cidades. Em Limeira, a morte da ginecologista e obstetra Neyde Harumi Onishi Oshiro, aos 60 anos, no dia 15 de março, comoveu a população. Nas redes sociais, pacientes e amigos lamentaram a morte e destacaram as qualidades profissionais. Na época, o município vivia situação de epidemia, com 16 óbitos confirmados.

Um grupo de médicos chegou a se reunir e cobrar mais ações das autoridades locais contra a doença. As ações não pararam. Nesta segunda, como parte da ação municipal, até carros abandonados eram alvo de ações contra o mosquito.

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