Livro traz receitas para pacientes com câncer

Uma das principais queixas de quem enfrenta o tratamento contra o câncer é a falta de apetite e a intolerância ao sabor e cheiro dos alimentos. Segundo os especialistas, um terço desses pacientes desenvolvem algum tipo de alteração de paladar, principalmente após as sessões de quimioterapia. Como se alimentar se a comida não tem gosto ou fica ruim? É isso que 'Comida que Cuida', com 69 receitas de saladas, sopas, massas, carnes, lanches e doces, procura responder. O livro também dá dicas para esse período em que os pacientes enfrentam, além da doença, efeitos colaterais como a perda do paladar, intestino preso, boca seca e náuseas. Todas as receitas têm indicações para necessidades especiais que surgem durante o tratamento, além de dados sobre alimentos leves, protéicos, sem fibras, laxativos e sem lactose. O livro é uma iniciativa do laboratório Sanofi Aventis e será distribuído para hospitais. Também é possível fazer download no site www.sanofi-aventis.com.br. Depressão ?A idéia não era fazer um tratado de nutrição, nem um livro de receitas com pratos maravilhosos, mas um livro que ajudasse o paciente a passar por essa fase?, diz Cristina Moscardi, uma das coordenadoras do projeto. Ela ressalta que o trabalho não pode substituir as indicações de médicos e nutricionistas e não tem fins comerciais. Juntamente com ela, a nutricionista Tatiana Oliveira, do Hospital do Câncer, foi a responsável pela revisão das receitas e a inclusão de três delas, desenvolvidas no próprio hospital. ?O paciente com câncer não tem uma dieta específica, depende dos efeitos colaterais que terá com o tratamento?, diz. Há nove anos, a nutricionista trabalha com pacientes oncológicos. Segundo ela, um quadro comum nessas pessoas é a desnutrição. ?Durante o tratamento, entre 30% a 80% terão desnutrição ou já chegam com esse quadro?, diz. Uma das explicações é a depressão. ?Isso faz com que a pessoa não tenha vontade de comer.? De acordo com o oncologista Bernardo Garicochea, da PUC-RS, a desnutrição é freqüente em estágios avançados da doença e compromete o tratamento e a recuperação. ?O paciente com câncer de estômago, por exemplo, que consegue se alimentar e manter um nível alto de proteínas no organismo, consegue viver mais em relação aos que não se alimentam adequadamente?, diz. Apesar de não deixar se abater pela depressão, a carioca Sueli Cabral, de 45 anos, não podia nem sentir cheiro de comida durante os cinco meses de tratamento contra o câncer de mama. Ela descobriu quatro tumores no seio direito em 2003 e foi submetida a uma mastectomia. Após cada uma das seis sessões de quimioterapia, o cheiro de comida lhe provocava náuseas - incômodo agravado por sua profissão. Sueli é banqueteira, organiza jantares e eventos. ?Li muito sobre o assunto, mas não encontrava nada sobre alimentação?, diz. A saída foi inventar suas próprias receitas. ?Depois da terceira sessão, a única coisa que conseguia comer era inhame amassadinho?, conta. Sueli passou então a se alimentar com uma sopa de inhame, apenas com sal, água e um pouco de azeite. Outra sopa que fez parte de seu cardápio foi a de alface com batata e sal. As duas receitas, que acompanharam Sueli durante todo o tratamento, e seu depoimento fazem parte do livro.

Agencia Estado,

21 de novembro de 2006 | 09h35

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