Reprodução/Facebook
Reprodução/Facebook

'Lockdown voluntário' com desconto de salário não tem adesão em cidade de SC

“Quer se cuidar? Ótimo. Vai ficar em casa, mas não vai receber salário”, anunciou prefeito de Criciúma ao publicar medida; cidade tem maior número de mortos e infectados no sul do Estado

Fábio Bispo, especial para o Estadão

23 de março de 2021 | 14h03

FLORIANÓPOLIS - Nenhum funcionário público de Criciúma, cidade no sul de Santa Catarina, aderiu ao decreto do prefeito Clésio Salvaro (PSDB) que propôs um “lockdown sem remuneração”. A medida foi anunciada na quarta-feira, dia 17, mas não teve adesão do funcionalismo. A cidade tem o maior número de mortes registradas por covid-19 na região e, assim como as demais regiões, está com hospitais lotados.

Declaradamente contra o lockdown em todo o município, Salvaro gravou vídeo em tom de desabafo e disse que “não há necessidade de parar a economia, nós precisamos continuar trabalhando” e diz que quem quiser se cuidar, em casa, não terá direito a salário.

"Não quer vir trabalhar? Não tem problema. Quer se cuidar? Ótimo, vai ficar em casa, mas não vai receber salário. É assim mesmo, porque é muito fácil pedir lockdown quando a geladeira está cheia e o salário garantido, então estou decretando lockdown na prefeitura, só que é voluntário, facultativo. Quer lockdown? Vai ter, só não vai ter salário", afirmou ao assinar o decreto.

Na prática, o decreto de Salvaro reconhece como de interesse público o pedido de licença sem remuneração que já estava previsto no estatuto dos servidores.

A medida foi vista como um ataque pelos representantes do funcionalismo público. “Ou morremos de coronavírus ou morremos de fome, é isso que o prefeito está propondo?”, questiona Jucelia Vargas Vieira de Jesus, presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Criciúma e Região.

“É uma cortina de fumaça para desviar a atenção das próprias responsabilidades do prefeito. Nós estamos com leitos lotados, dois professores intubados. Ontem [segunda-feira] perdemos mais uma servidora. Não pedimos lockdown pelo lockdown, nem queremos ficar em casa. Queremos é cuidado com toda população. Nós fizemos pedidos para que as pessoas de risco pudessem trabalhar em regime home office, ou fossem afastadas, mas não isso que foi apresentado. Isso é uma afronta a todos os servidores que estão todos os dias correndo riscos na linha de frente”, declarou Jucélia.

Com 217.311 habitantes, Criciúma está entre as cidades com maior índice de infectados com vírus ativo. Ao total, já são mais de 25 mil casos registrados na cidade e 300 mortes.

Todas as regiões de Santa Catarina estão com nível de alerta máximo para a covid-19. O Estado ainda tem filas de espera por leitos de UTIs e com mais de 30 mil pessoas com vírus ativo. O número de mortes no estado chegou a 9.651 nesta segunda-feira, 22. Mais de 40% das mortes no estado ocorreram em 2021.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.