JOSÉ LUIS DA CONCEIÇÃO/AE
JOSÉ LUIS DA CONCEIÇÃO/AE

Lote de vacina contra H1N1 dura 1 hora nas clínicas de São Paulo

O 'Estado' entrou em contato com 21 estabelecimentos da capital; a maioria estava com telefones ocupados, por excesso de procura

Fabiana Cambricoli e Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

01 Abril 2016 | 03h00

SÃO PAULO - Foram necessários apenas 60 minutos para que um lote de 150 vacinas contra a gripe se esgotasse em uma clínica do Ibirapuera, na zona sul paulistana, na quarta-feira, 30. Em uma unidade dos Jardins, também na zona sul, a remessa com centenas de doses acabou em duas horas. Com o surto antecipado do vírus H1N1 no Estado de São Paulo, clínicas de vacinação da capital não estão dando conta da demanda pela imunização. O produto está em falta em dezenas de estabelecimentos e alguns deles já fazem lista de espera de interessados no produto. Em uma unidade no Brooklin, zona sul, a lista ganhou 770 nomes em dois dias.

“Ligamos ontem (quarta) para uma clínica para saber se um novo lote havia chegado e eles disseram que sim. Quando fomos hoje (quinta) nos vacinar, já tinha acabado. E tínhamos procurado a vacina em outros dois lugares”, comentou a administradora de empresas Cibeli Passarinho de Assis, de 45 anos, que faz tratamento para engravidar e busca proteção contra o vírus. “A gente ficou com medo. Dizem que essa gripe pode matar em três dias”, afirma ela, que buscou a imunização com o marido. Após procurar, sem sucesso, três clínicas em busca da vacina, o casal encontrou o produto disponível em um estabelecimento da Bela Vista (região central da capital), mas pelo dobro do preço das outras clínicas. “Desistimos de tomar. Nos outros locais, a vacina quadrivalente estava R$ 120 e, aqui, custa R$ 230”, diz.

Mesmo sem fazer parte de nenhum grupo de risco para a doença, o administrador Peter Walsh, de 52 anos, também tentou vacinar-se nesta quinta em uma clínica dos Jardins, mas não encontrou o produto. “Todo ano me vacino e nunca vi esse caos. Só que agora a gente está mais preocupado. Tenho uma amiga de 38 anos que morreu dessa doença”, diz ele. 

Congestionadas. O Estado entrou em contato com 21 clínicas de vacinação em São Paulo nesta quinta. A maioria estava com os telefones ocupados por pelo menos quatro horas durante a tarde. Só cinco atenderam.

O único com vacinas disponíveis foi um estabelecimento no Brooklin. Os atendentes relataram que as filas estão grandes desde o início da manhã até o fim da tarde. Nesta quarta, o estoque acabou e a clínica passou a colocar os pacientes na lista de espera, que chegou a 770 nomes. No fim do dia, uma remessa com mil doses foi entregue. A expectativa é de que o novo lote se esgote nesta sexta, 1º.

Uma clínica no Jabaquara (zona sul) informou que a vacina acabou, mas que uma nova remessa deverá chegar na próxima quarta. Foi relatado que as filas estão se acumulando e a quantidade de pessoas na lista é tão grande que a inclusão de novos nomes foi suspensa.

Na Mooca (zona leste), uma clínica relatou que não há mais vacina disponível e receberá o próximo lote apenas no dia 11 de abril. Desde quinta, quando o estoque esgotou, cerca de cem pessoas já foram incluídas em uma lista de espera.

No Morumbi, na zona sul, uma clínica informou que a vacina está esgotada. Mas é possível que uma remessa chegue na próxima semana. A clínica estava marcando horário para a vacinação, mas a entrega dos lotes começou a atrasar e os agendamentos foram suspensos.

Laboratório decide antecipar importação de doses

Com o aumento inesperado no número de casos de H1N1 no País, o laboratório francês Sanofi Pasteur, um dos dois que produzem a vacina quadrivalente contra a gripe para o mercado privado, decidiu antecipar em duas semanas a importação das doses do produto. Segundo a companhia, como a vacina leva de quatro a seis meses para ser produzida, costuma ser entregue em meados de abril no Brasil, para ser comercializada a partir do fim do mesmo mês, época que coincide com o início da campanha da rede pública. Neste ano, no entanto, a vacina da companhia será entregue e estará disponível para o consumidor a partir da semana que vem. 

O laboratório GSK, outro fabricante da vacina quadrivalente, diz que seu produto já estava nas clínicas privadas desde o fim de março e que não há falta. A vacina contra a gripe oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é produzida pelo Instituto Butantã de São Paulo.

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