Lua de Saturno tem garoa, neblina e mares de combustível

Estudo com telescópios e sonda mostram que Titã tem um sistema hidrológico onde flui combustível

Carlos Orsi, do estadao.com.br, com Associated Press,

11 de outubro de 2007 | 16h34

De manhã faz frio e cai uma garoa fina, que às vezes nem chega a tocar o solo, convertendo-se em neblina pelo caminho. A chuva começa quando o Sol nasce e se dispersa pouco antes das 11 horas da manhã. Não se trata de São Paulo no inverno: a garoa é de metano - na Terra, um gás combustível - e, entre a alvorada e as 10h40, passam-se o equivalente a 72 horas terrestres. O local é Titã, maior das luas do planeta Saturno.   A despeito do líquido diferente, o clima lá parece seguir uma dinâmica semelhante ao da Terra, informam pesquisadores liderados por Mate Adamkovics da Universidade da Califórnia em Berkeley. A equipe de Adamkovics estudou Titã usando grandes telescópios terrestres, baseados no Chile e no Havaí, e descreve suas descobertas na edição online da revista Science.   Na maioria das imagens, neblina e garoa de metano aparecem ao amanhecer na região equatorial do maior continete da Lua, batizado Xanadu.   "A topografia pode estar causando essa garoa", disse o astrônomo Imke de Pater, também da U.C. Berkeley. "A chuva pode ser causada por processos semelhantes aos da Terra: nuvens carregadas de umidade, arremessadas montanha acima pelo vento, condensam-se para formar uma chuva". A temperatura ao amanhecer em Titã é de cerca de -200º C no equador em Xanadu.   Dependendo das condições, a garoa pode cair como chuva, ou dar origem a uma neblina.   Os cientistas informam que a neblina desaparece depois de um horário equivalente às 10h40 da manhã, hora local. Como a lua leva 16 dias terrestres para completar um ciclo de dia e noite, isso representa três dias da Terra.   O metano não é uma exclusividade da região equatorial da lua. Nesta quinta-feira, 11, a Agência  Espacial Européia (ESA) divulgou as imagens mais detalhadas já feitas dos lagos e mares de metano e etano - outro hidrocarboneto inflamável - que existem no pólo Norte de Titã. Trata-se de uma nova montagem de imagens de radar, composta por sete sobrevôos realizados nos últimos 18 meses pela sonda Cassini.   Cerca de 60% da região ártica de Titã já foi mapeada pela Cassini. Desse total, 14% é coberto pelo que os cientistas interpretam como lagos de hidrocarboneto.   "Esta é a nossa versão de mapear o Alasca, o norte do Canadá, Groenlândia, Escandinávia e o norte da Rússia", disse a cientista de radar da Cassini, Rosaly Lopes, no laboratório de Propulsão a Jato da Nasa. "É como mapear essas regiões da Terra pela primeira vez".   Lagos e mares são muito comuns nas altas latitudes de Titã, onde é inverno atualmente. Eles são preenchidos por chuvas e transbordam, criando rios e canais.   "Os lagos que observamos parecem estar em diferentes estados de preenchimento, sugerindo um envolvimento em um sistema hidrológico complexo, semelhante ao ciclo da água na Terra", diz Alex Hayes, que estuda imagens geradas pela Cassini no Instituto de Tecnologia da Califórnia.

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