Lula critica excomunhão de médicos por aborto em menina

Presidente diz que 'como cristão' lamenta profudandamente a decisão conservadora do bispo de Olinda e Recife

Alexandre Rodrigues, O Estado de S. Paulo

06 Março 2009 | 11h40

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta sexta-feira, 6, a posição da Igreja Católica de excomungar os médicos que fizeram aborto em uma menina de 9 anos vítima e estupro em Pernambuco. "Como cristão e como católico, lamento profundamente que um bispo da Igreja Católica tenha um comportamento conservador como este. Não é possível permitir que uma menina estuprada pelo padrasto tenha esse filho, até porque a menina corria risco de vida. Acho que, neste aspecto, a medicina está mais correta do que a Igreja", disse o presidente, fazendo referência à decisão do arcebispo de Olinda e Recife, d. José Cardoso Sobrinho.   Veja também:  Igreja excomunga envolvidos em aborto de menina estuprada  Equipe médica excomungada diz que não está arrependida  Entenda o que dizem o Direito Canônico e o Código Penal  Opine: qual ética o médico deve seguir nestes casos?   Lula argumentou que o que estava em jogo era a saúde da menina. "Eu estou dizendo que a medicina está mais correta que a Igreja, e fez o que tinha que ser feito: salvar a vida de uma menina de 9 anos. Lula ainda se mostrou preocupado com trauma psicológico da vítima e defendeu a necessidade de um acompanhamento especial para que ela supere o trauma do abuso sexual. "Possivelmente leve décadas para que essa menina volte à normalidade (psicológica)", afirmou.    "Vocês viram esta semana em Recife, um padrasto violentou sexualmente uma menina de 9 anos de idade, sabemos que isso acontece e sabemos que isso é um processo de degradação da estrutura da sociedade", disse o presidente durante seu discurso no lançamento do programa Território de Paz em um bairro de Vitória. O projeto é voltado para jovens entre 15 e 24 anos que vivem em condições vulneráveis.   "Antes do nosso governo a coisa mais habitual era um prefeito acusar o governador pela violência. O governador, para se livrar, acusava o presidente da República, que dizia que a responsabilidade era do estado. Acabamos com essa transferência de responsabilidade, o problema é de vocês, é meu, é do governador, do prefeito, do deputado, da igreja evangélica, da Igreja Católica".   A cerimônia marcou o lançamento do Território de Paz no bairro São Pedro. A região receberá 29 projetos de enfrentamento à criminalidade articulados a ações sociais do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci). Entres os projetos estão o de Proteção de Jovens em Território Vulnerável, que atenderá 350 jovens, e o Mulheres da Paz, que selecionará 200 mulheres para atuarem na comunidade.   Atualizda às 16h06

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