Má-nutrição mata 3,5 milhões de crianças por ano, diz estudo

Milhares de crianças não consomem nutrientes cruciais para o crescimento.

BBC Brasil, BBC

17 de janeiro de 2008 | 14h40

Mais de um terço das mortes de crianças e 11% das doenças que afetam mães e seus filhos ocorrem por má-nutrição, apontou uma série de estudos compilada por especialistas internacionais e publicada na última edição da revista médica Lancet.A pesquisa indica que 3,5 milhões de crianças morrem todos os anos por falta de comida ou por causa de uma alimentação precária, deficiente em vitaminas e minerais essenciais para o crescimento. Um problema que, segundo o estudo, "começa dentro do útero". O relatório afirma que crianças que não têm alimentação adequada podem ter o crescimento atrofiado e mau desempenho escolar, o que reduziria a sua capacidade de conseguir trabalho, aprofundando ainda mais o ciclo de pobreza.Os especialistas alertam que o período que vai da gravidez até os dois anos de idade é "crucial para evitar os efeitos irreversíveis da desnutrição". Amamentação"A desnutrição em gestantes ou nos primeiros estágios da vida da criança pode causar um dano irreversível, mesmo se a alimentação melhorar ao longo da infância", disse Caroline Fall, da Universidade de Southampton, na Grã-Bretanha, e uma das pesquisadoras envolvidas no estudo.O trabalho também sugere que se as mães amamentarem pelo menos até os seis meses de vida do bebê e consumirem alimentos ricos em zinco e vitamina A, o número de óbitos infantis poderia ser reduzido em até 25%.O pesquisador Zulfiqar Bhutta, do Departamento de Pediatria e Saúde Infantil da Universidade Aga Khan, no Paquistão, estima que 1,4 milhão de crianças morram por falta de amamentação. BrasilA série de estudos divulgada na Lancet ainda mostrou que 80% das grávidas e crianças malnutridas estão concentradas em 20 países da África e da Ásia.Sem oferecer dados exatos sobre a América Latina e o Caribe, o relatório aponta que os índices de crianças abaixo do peso e com crescimento atrofiado "caiu consideravelmente" na região entre 1980 e 2005. Sobre o Brasil, a pesquisa comenta que "houve avanços substanciais nos atendimentos básicos de saúde, água e saneamento básico, além de melhorias na educação das mulheres"."Esses avanços parecem ter ocorrido, apesar de momentos de estagnação econômica e perdas no poder de compra da população, principalmente entre os pobres." O trabalho acrescenta que "pôr um fim na fome e na má-nutrição está entre as prioridades de políticas implementadas no Brasil, Bolívia e Peru". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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