Mãe de gêmeos aos 61 anos tem alta 14 dias após o parto

Bebês nasceram prematuros e seguem internados para ganhar peso

Zuleide de Barros, especial para O Estado,

07 Novembro 2012 | 18h52

A primeira batalha já foi vencida. Antonia Letícia Asti, de 61 anos, que teve um casal de gêmeos há 14 dias, recebeu alta hospitalar nesta quarta-feira, 7, e já descansa em casa, a espera dos bebês, prematuros, que devem permanecer internados até o início do próximo mês, a fim de ganhar peso. José César Asti, o pai, de 55 anos, era uma alegria só, ao acompanhar a mulher, na manhã desta quarta, até a casa de uma cunhada, que mora no bairro do Jóquei Clube, em São Vicente. "Ela ainda está muito cansada e, como nós moramos no terceiro andar de um prédio que não tem elevador, resolvemos levá-la para a casa de uma irmã", afirmou entusiasmado, lembrando que agora é torcer para que os bebês, ainda internados na UTI pediátrica do Hospital e Maternidade São Lucas, ganhem peso e possam ir logo para casa.

"Estou saindo, mas duas partes de mim ficam aqui", afirmou a auxiliar administrativa Antonia Letícia, anunciando que realizou o maior sonho de sua vida. De acordo com obstetra Orlando de Castro Neto, que acompanha Antonia desde 1992, em sua luta para engravidar, os bebês, que nasceram de sete meses, estão se desenvolvendo muito bem na incubadora. Sofia, que nasceu  com 900 gramas, está com 1,200 kg, enquanto Roberto já pesa 1,270 kg. Ambos devem deixar a UTI Neonatal no início do mês que vem. Por enquanto, os dois recebem alimentação parenteral. Por intermédio de uma veia, eles recebem todas as substâncias necessárias para se desenvolverem, como se estivessem no útero da mãe.

Ainda no hospital, Antonia recebeu tratamento para a indução do leite, que vem sendo retirado diariamente para a alimentação dos bebês. Até a alta dos gêmeos, os pais se revezam na visita diária à UTI. Caso raro na medicina, a mãe vinha tentando engravidar há dez anos, mas sem sucesso. Na primeira fertilização in vitro, ela não foi bem sucedida. Entrou na fila da adoção e também não teve sorte. O processo emperrou com a justificativa de que ela já estava com mais de 50 anos. Como ela tinha óvulos e embriões preservados da primeira fertilização, resolveu partir para uma nova tentativa. "Foi ela quem sugeriu ao médico que tentasse mais uma vez", afirmou o pai.

A batalha de Antonia não foi nada fácil. Além da questão da idade, ela apresentava obstrução das trompas e o endométrio, membrana que reveste o útero, era muito fina, o que poderia dificultar a gravidez. Ela recebeu tratamento adequado e a gravidez prosperou. Os bebês nasceram prematuros em razão de um problema de hipertensão da mãe, que agora só tem planos para quando os bebês chegarem em casa. "Vamos contratar uma pessoa para ajudá-la durante o dia, mas à noite, eu mesmo dou conta com a troca de fraldas, mamadeiras e tudo o que for necessário", antecipa o marceneiro, torcendo para que até o Natal, a família já esteja reunida no apartamento onde mora, no bairro do Campo Grande, em Santos.   

 

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