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Mães macacas podem ser a chave para o sucesso reprodutivo dos filhos

Estudo sobre o Muriqui do norte mostra que a espécie brasileira, ameaçada de extinção, sobrevive por conta da importância feminina dentro de sua sociedade

Estadão.com.br,

07 de novembro de 2011 | 18h34

Se você é homem, nada pode atrapalhar mais seu sucesso romântico do que ter a mãe a tiracolo. Por outro lado, se você é um macaco Muriqui do norte, a presença da mãe pode ser a melhor aposta para conseguir acasalar com êxito, no momento certo e com a parceira ideal.

 

Esse é o tema de um estudo divulgado nesta segunda, 7, pela revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), liderado pela antropóloga Karen B. Strier. De acordo com a pesquisa, em uma sociedade primata onde há igualdade e tolerância, homens maduros que ainda vivem em casa encontram companheiras mais facilmente pela simples presença de suas mães e outros parentes maternos.

 

Para os envolvidos, a importância desse estudo está no fato de aprendermos mais sobre as práticas de conservação dos primatas criticamente ameaçados de extinção. No entanto, segundo Strier, há ainda uma grande surpresa: a certeza sobre a 'hipótese da avó', ou seja, a noção de que as fêmeas humanas evoluíram para viver bem após seus anos reprodutivos por causa das vantagens conferidas pela criação dos netos feita por mulheres pós-menopausa.

 

O Muriqui do norte é uma espécie de primata antiga e em grande perigo de extinção. Existem mais de mil animais vivendo na Mata Atlântica brasileira, o único lugar em que são encontrados. Esse animal tem sido objeto de um estudo comportamental intensivo, realizado pela equipe de Strier por quase três décadas.

 

A razão disso está no fato de que a cultura Muriqui contrasta com muitas outras sociedades de primatas: é igualitária, pacífica e tem sucesso reprodutivo. Ao que parece, esse êxito é espalhado uniformemente entre os machos de um grupo ao invés de ser determinado pela posição social masculina, como é na maioria das outras espécies. "Os novos dados mostram que está puxando os cordões da sociedade Muriqui são as mães", diz Strier.

 

Dados genéticos de 67 macacos - crianças, mães e possíveis ancestrais -, encontrados pelos estudiosos a partir de fezes, foram analisados com o auxílio dos colaboradores Sérgio Mendes e Valéria Fagundes, da Universidade Federal do Espírito Santo, Anthony Di Fiore, da Universidade do Texas em Austin, e também do estudante brasileiro Paulo Chaves, que é aluno da Universidade de Nova York. Os resultados validam décadas de estudos sobre o comportamento dos primatas e ainda proporcionam uma nova janela acerca da sociedade Muriqui. Pela primeira vez, Strier e sua equipe puderam verificar parentes paternos serem altamente estáveis dentro dos grupos sociais, e isso ao longo de gerações.

 

"Por conta dos inúmeros estudos sobre o comportamento dos Muriquis, sabíamos que as mães, que podem viver até os trinta anos, ficam com seus filhos por uma longo tempo", explica a antropóloga. "Entretanto, a parte inesperada da história é que pode haver vantagens reprodutivas por conta deste arranjo de vida".

 

A nova pesquisa também pode ajudar a explicar por que as fêmeas Muriqui têm uma vida tão longa. Segundo estudo divulgado na PNAS, esses novos dados colocam agora em perspectiva um outro questionamento sobre a dinâmica social dos primatas. 'Será que estamos vendo mães Mega? Ou isso se refere apenas a estar com sua mãe?'. Mas isso já é outro assunto, para outra pesquisa.

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