Tony Gentile / Reuters
Tony Gentile / Reuters

Maior autoridade da Igreja Católica já condenada por abuso sexual, australiano Pell é absolvido

Cardeal entrou com apelação na Suprema Corte; acusado de crimes contra meninos de até 13 anos, ele sempre se afirmou inocente

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2020 | 22h56

O cardeal George Pell, de 78 anos, maior autoridade eclesiástica católica já condenada por crimes de abuso sexual, foi absolvido após apelação à Suprema Corte da Austrália. O veredito foi anunciado na manhã desta terça-feira, 7, na Austrália e o prelado acabou liberado de todas as cinco acusações de abusos sexual, envolvendo meninos de até 13 anos na década de 1990. "Há uma possibilidade signficativa de que uma pessoa inocente tenha sido condenada, uma vez que as provas não estabeleceram a culpabilidade no nível requerido", diz a sentença obtida pelas agências internacionais.

A corte federal anulou as sentenças de primeira e de segunda instância. Pell sempre defendeu sua inocência. Na ativa no Vaticano, foi responsável pelo assuntos econômicos, sendo apontado como um dos principais integrantes da cúpula vaticana e colocado como número 3 na hierarquia da Santa Sé. "Foi reparada uma injustiça grave", disse, após saber da decisão.

Pell estava até ontem na prisão de segurança máxima de Barwon, desde a sentença de 6 anos de reclusão confirmada no ano passado. Os crimes teriam ocorrido na Catedral de Melbourne e envolveriam dois jovens do coral. Um deles decidiu acusar Pell após a morte do colega, por overdose, em 2014. Nesta semana, a rede ABC apresentou novas acusações de abusos contra o cardeal, mas que datariam dos anos 1970.

Na decisão da Suprema Corte, os sete ministros alegam que os envolvidos nos julgamentos anteriores deveriam ter observado "uma dúvida razoável" em relação à culpabilidade de Pell, o que indica que as provas não seriam tão claras como muitos consideravam até hoje.Com essa decisão, Pell não poderá voltar a ser acusado pelos crimes. E deverá ser libertado.

No Vaticano. Em Roma, as investigações contra Pell esperavam a decisão final das autoridades australianas. Pell foi nomeado bispo auxiliar da arquidiocese de Melbourne em 1987, tornando-se arcebispo metropolitano em 1996. Criado cardeal em 21 de outubro de 2003 por João Paulo II, em abril de 2013 foi nomeado pelo Papa Francisco membro do Conselho dos cardeais e, em fevereiro de 2014, prefeito da recém-criada Secretaria para a Economia.

Em 2017, após dois anos de investigação na Austrália, o cardeal foi formalmente incriminado. À época, em Roma, disse que  "a ideia de abuso sexual é aberrante para mim". Ele anunciou então que voltaria à Austrália para "limpar o seu nome". No mesmo dia, a Santa Sé emitiu uma declaração anunciando que o Papa Francisco havia concedido ao purpurado um período de licença. 

Em 26 de fevereiro do ano passado, a Sala de Imprensa vaticana emitiu uma declaração na qual comunicou que o Papa Francisco tinha confirmado medidas cautelares já tomadas contra o cardeal Pell pelo Ordinário local no seu regresso à Austrália. Essas medidas proibiam "o exercício público do seu ministério" e "o contato, em qualquer modo, com menores de idade". /COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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