NILTON FUKUDA/ESTADAO
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'Maior homenagem que vocês irão fazer é ficar em casa', diz enfermeira da linha frente da covid-19

Janaína Maria Felix de Moraes trabalha no Hospital Israelita Albert Einstein e tem acompanhado pacientes com o novo coronavírus, incluindo jovens, que lutam contra a doença

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2020 | 10h30

   

SÃO PAULO - Antes da pandemia do novo coronavírus, a covid-19, a enfermeira Janaína Maria Felix de Moraes, de 43 anos, lidava com pacientes de pré e pós-operatório do trato gastrointestinal. Agora, a profissional do Hospital Israelita Albert Einstein, onde foi registrado o primeiro caso da doença no País, acompanha pacientes - inclusive jovens - que sofrem com as complicações respiratórias desencadeadas pelo vírus. Grata pelas demonstrações de carinho da população para os profissionais de saúde, ela faz um apelo: "Para a gente da saúde tem os aplausos, o panelaço, mas a maior homenagem que vocês irão fazer é ficar em casa ".

Enfermeira há dez anos, Janaína falou com o Estado sobre a sua rotina durante a pandemia nesta segunda-feira, 13, na live Abraço na Saúde, realizada no Facebook do jornal. Ela conta que seu trabalho já consiste em observar a evolução clínica dos pacientes e alertar os médicos se ocorrer alguma piora no estado de saúde, mas que a atenção é redobrada com os infectados pelo novo vírus. A equipe também foi treinada para a realização do atendimento.

"São pacientes que a gente de ficar muito atento ao estado clínico e ao padrão respiratório. Eles ficam cansados aos mínimos esforços.  A evolução é muito rápida, por isso que o enfermeiro é fundamental."

Ela demonstra surpresa com a idade dos pacientes que tem atendido, pois nem todos são idosos. "Uma pessoa com 40 anos é muito jovem. Os idosos, querendo ou não, estão se protegendo e ficando em casa. Tem paciente está indo para a UTI e que malha, é jovem e sem comorbidade. A gente tem jovem, atleta, malhado, que teve dificuldade para respirar aos mínimos esforços, isso é muito crítico."

A rotina também mudou. Com as notícias de colegas que estão sendo hostilizados e agredidos por pessoas que acreditam que eles podem disseminar o vírus, desconhecendo o fato de que os profissionais seguem padrões de segurança, a enfermeira não sai mais de branco. Não faz mais visitas aos pais idosos. Também não tem mais abraço na filha de 8 anos assim que chega em casa.

"Não entro em casa com a roupa da rua, deixo a roupa em um cesto do lado de fora, já tomo um banho e, depois disso, vou para as outras partes da casa e cumprimentar minha filha."

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Quando não está trabalhando, cumpre o isolamento e afirma que se sente mais protegida no hospital do que na rua. "Eu me sinto mais segura no hospital, porque eu sei que as pessoas que estão internadas são covid-19 positivo e eu vou me paramentar. Na rua, infelizmente, as pessoas não estão seguindo a quarentena, não estão seguindo o isolamento social. Várias pessoas podem estar infectadas e assintomáticas e contaminando as pessoas. O mundo está clamando, a gente está vendo a evolução da doença e muita gente (está) vivendo como se fosse a Copa do Mundo."

Ela pede que a população se conscientize e transmita a mensagem de que é necessário ficar em casa. "Se cada familiar que você tiver, cada amigo, cada pessoa que você puder orientar e falar: 'cumpra a sua quarentena, fique em casa, colabore para que a gente não venha a ser estatística', porque é muito sério, não é uma gripinha. A covid-19 mata."

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