Maioria de planos de saúde não cobre programa de prevenção

Os 29% que dizem ter prevenção o fazem com relação a doenças crônicas, de pacientes que já estão doentes

Fabiana Cimieri, de O Estado de S. Paulo,

07 de novembro de 2008 | 21h27

Apesar do estudo sobre mortalidade divulgado na quinta-feira, 6, pelo Ministério da Saúde indicar que as cinco principais causas de mortalidade dos brasileiros estão relacionadas ao estilo de vida, os planos de saúde pouco investem em prevenção. E mais: os 29% que afirmam terem algum tipo de programa preventivo o fazem com relação a doenças crônicas, direcionado a pacientes que já estão doentes. Outro dado importante é que 70% das pessoas, quando adoecem, procuram diretamente o médico especialista, e não um clínico-geral.   Veja também:  Causas de morte, no Brasil e no mundo   A economia da saúde - famílias gastam mais que o governo        Esse é o resultado de um estudo comparativo inédito e independente sobre o setor de saúde privado, realizado pela empresa de consultoria CVA Solutions, que ouviu 4.000 usuários de 33 operadoras de saúde, além de 153 representantes da área de recursos humanos responsáveis pela escolha dos planos nas empresas. A pesquisa foi realizada entre junho e julho deste ano, nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro.   De acordo com o estudo, as pessoas necessitam e estão receptivas a programas de prevenção. Nos últimos dois anos, 29% dos beneficiários participaram de algum programa para adotar hábitos mais saudáveis, mas em 71% dos casos os planos não cobriram o tratamento.   Entre as coberturas desejadas e que não são oferecidas, estão check-ups regulares, subsídio a medicamentos, programas de vacinação, terapias alternativas e descontos em academias. "O problema é que os planos pensam em prevenção para quem está doente, e se esquecem dos 90% de usuários saudáveis que acabam se sentindo abandonados pelo plano", disse o coordenador do estudo Sandro Cimatti.   O presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo, Arlindo de Almeida, discorda dessa conclusão. "Trabalhamos com 42 tipos de programas de medicina preventiva. As maiores operadoras certamente oferecem. número de operadoras pode não ser tão alto, mas em termos de beneficiários certamente a maioria é atingido".   A Agência Nacional de Saúde Suplementar está concluindo um levantamento sobre o tema, que deve ser divulgado nas próximas semanas, e não comentou o resultado do estudo.   Ainda segundo a pesquisa, 52% dos usuários estão acima do peso. Desses, 29% têm sobrepeso, 23% são obesos e apenas 35% estão com o índice de massa corporal (IMC) considerado saudável. O tabagismo, outro fator de risco importante, atinge 18% dos beneficiários dos planos.   Segundo Cimatti, coordenador do estudo, o valor percebido pelos usuários de plano de saúde é ruim, ou seja, 59% dos beneficiários acham que os custos são maiores do que os benefícios. " Os pacientes crônico correspondem a cerca de 10% do total de usuários e representam 65% do custo da operadora. Os demais pacientes poderiam ter um relacionamento mais próximo com seu plano de saúde se tivessem esses programas de prevenção, o que aumentaria a percepção de valor da empresa e reduziria a sinistralidade a longo prazo", disse Cimatti.   Se pudessem participar de um programa de melhoria da saúde que fosse coberto pelo plano, 59% das pessoas certamente participariam. Cerca de 30% talvez participassem, 3% não participariam e 8% não sabem se participariam.   Incentivada pelo seu novo plano de saúde, a agente de turismo Gisela Boffa Pinto, de 29 anos, mudou toda a sua rotina de alimentação. "Fui a consultas com nutricionistas e outros especialistas. Estou comendo mais frutas e bebendo mais água", disse ela, que lembrou que o plano antigo não cobria esses profissionais.

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