STR / AFP
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Maioria dos casos de coronavírus é leve. Essa é uma boa e uma má notícia

Mais de 80% dos casos de coronavírus não são graves, mas sintomas leves podem dificultar a contenção da epidemia

The New York Times, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2020 | 05h00

À medida que um novo e perigoso coronavírus devastava a China e se espalhava pelo restante do mundo, os números do surto provocavam medo e ansiedade. Quase 3 mil mortes. Mais de 81 mil casos. Seis continentes infectados. Mas, em seus alertas sobre a epidemia, funcionários do governo e médicos especialistas também davam uma notícia tranquilizadora: embora o vírus possa ser letal, até agora a maioria dos infectados tem apenas sintomas leves e apresenta recuperação completa.

Pouco se sabe sobre o vírus, e o perigo pode se intensificar conforme ele viaja pelo mundo. Dos 44.672 casos de coronavírus confirmados no país até 11 de fevereiro, mais de 36 mil - ou seja, 81% - foram leves. Os casos foram considerados leves se não envolveram pneumonia, definida como infecção pulmonar, ou provocaram apenas pneumonia leve, escreveram os autores do estudo, que até o momento está entre os maiores sobre o novo coronavírus.

Havia duas outras categorias de casos: graves e críticos. Os casos graves foram os que apresentaram falta de ar, baixa saturação de oxigênio no sangue ou outros problemas pulmonares. Os casos críticos apresentaram insuficiência respiratória, choque séptico ou disfunção de múltiplos órgãos. Pouco menos de 14% dos pacientes foram graves; menos de 5%, críticos.

A taxa geral de mortalidade na China foi de 2,3%. Mas esse número foi inflado pela taxa na província de Hubei, 2,9%, muito mais alta que a de apenas 0,4% no resto do país. A gripe sazonal, em comparação, tem uma taxa de mortalidade de cerca de 0,1%.

Para muitos com infecções leves, o vírus pode ser praticamente indistinguível do resfriado comum ou da gripe sazonal, disse Jin Dongyan, especialista em virologia da Universidade de Hong Kong. “Alguns desses pacientes simplesmente não são identificados”, disse ele. “Pode ser algo tão simples quanto uma dor de garganta. Passa depois de um ou dois dias.”

As pessoas podem não saber que contraíram o novo coronavírus ou podem transmiti-lo como um resfriado sazonal. Então, elas prosseguem com sua vida normal - viajando, beijando, entrando em contato próximo com outras pessoas - e podem transmitir o vírus sem que ninguém saiba.

De modo geral, existem dois desenlaces possíveis para o atual surto, disse o Dr. Jin. O novo vírus pode se tornar cada vez menos transmissível conforme se espalha pelo mundo, acabando por desaparecer.

Ou, então, o coronavírus pode se estabelecer entre os humanos, tornando-se um tipo de incômodo sazonal recorrente, como a gripe, disse Jin. Vários especialistas afirmam que as pessoas que foram infectadas com o coronavírus não serão infectadas novamente, pois seus corpos produziram anticorpos que proporcionam imunidade, que deve se estender até àqueles que tiveram infecções leves ou mesmo assintomáticas. 

A resposta imune natural do corpo é a razão pela qual as autoridades chinesas pediram aos pacientes recuperados que doassem plasma sanguíneo, na esperança de que seus anticorpos pudessem ser usados para tratar os pacientes doentes. O governo também prescreveu medicamentos antivirais e a medicina tradicional chinesa como tratamento. / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

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