Maioria dos formandos em Medicina não passa em exame

No primeiro ano de prova obrigatória do Cremesp, 54% dos novos médicos de São Paulo não tiraram a nota mínima

Fernanda Bassette, O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2012 | 23h52

Mais da metade (54,5%) dos recém-formados em Medicina do Estado de São Paulo foram reprovados no exame do Conselho Regional de Medicina (Cremesp), que se tornou obrigatório neste ano. Nas edições anteriores, a prova era voluntária, o que deixava a amostra vulnerável a erros.

Os atuais formandos acertaram menos de 60% das 120 questões de múltipla escolha, que envolviam temas das 9 principais áreas da Medicina, como clínica médica, saúde pública, saúde mental, pediatria e ginecologia.

"As questões da prova eram básicas, de média e baixa complexidade. E, ainda assim, menos da metade conseguiu acertar 60% da prova. Lamentavelmente, áreas cruciais, como clínica médica, tiveram notas muito baixas", disse Renato Azevedo, presidente do Cremesp.

Na prova, detalha Azevedo, são cobrados conteúdos básicos como vacinas obrigatórias e a identificação e o tratamento de diarreia em crianças - as questões dessa prova específica não foram divulgadas.

Ao todo, 2.943 alunos se inscreveram para o exame. Para tirar o CRM (registro profissional), é necessário apresentar o documento que comprove presença na prova, mas não é necessário ser aprovado no exame.

Boicote

O exame foi feito por 2.872 estudantes, ou 97,6% dos inscritos, sendo que 2.411 são de escolas de São Paulo. Destes, 119 (4,2% do total) tiveram a prova invalidada por boicote - 86 marcaram apenas a letra B - ou por outras tentativas de anulação, como desenhos. Segundo o Cremesp, 99% dos que boicotaram são de instituições públicas.

O conselheiro Bráulio Luna, um dos coordenadores do exame, criticou o boicote. "São alunos extremamente egoístas. Estudam em universidades públicas, com dinheiro público, e quando se formarem vão atender em clínicas privadas, não vão atender no Sistema Único de Saúde (SUS). Esse é o perfil dos boicotadores. São parte de uma elite que não quer ser avaliada", afirmou Luna.

Apesar de a legislação determinar a entrega do CRM para o recém-formado - mesmo que ele tenha decidido boicotar o exame -, o Cremesp tem segurado o registro profissional de alguns alunos que boicotaram a prova. Os formandos da Unicamp Josué Augusto do Amaral Rocha, de 23 anos, e Marília Francesconi Felício, de 27 anos, boicotaram o exame e não conseguiram tirar o registro profissional. Receberam uma carta afirmando que suas provas apresentavam inconsistências e, por isso, seriam revisadas. "Isso é claramente uma forma de retaliação para atrasar a emissão do nosso CRM. Nós ficamos impedidos de exercer a profissão", diz Marília.

Azevedo, presidente do conselho, admitiu que as provas dos boicotadores serão reavaliadas, mas garantiu que os registros profissionais desses médicos serão entregues até 31 de janeiro.

Os recém-formados vão receber o resultado individual na prova comparando com a média geral. O Cremesp, porém, não vai divulgar a lista das melhores e piores para evitar um ranking. "Havia grande resistência das instituições em apoiar o exame exatamente por causa do ranqueamento. Então temos um compromisso de não divulgar os resultados por escola", explicou Reinaldo Ayer, que também coordenou a avaliação.

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