Maioria dos fumantes no Brasil tem menor instrução e renda, revela estudo nacional

Segundo Banco Mundial e Conselho Econômico e Social da ONU, tabaco e pobreza formam ciclo vicioso

estadão.com.br

30 de agosto de 2010 | 15h39

RIO DE JANEIR0 - De acordo com a Pesquisa Especial de Tabagismo (PETab), os maiores percentuais de fumantes no Brasil, entre ambos os sexos, foram encontrados na população sem instrução (25,7%) e entre as pessoas de menor renda (21,3%), o que correspondia à população que ganhava menos de meio salário mínimo por mês. Segundo o Banco Mundial e o Conselho Econômico e Social das Nações Unidas, tabaco e pobreza formam um ciclo vicioso, que atrasa o desenvolvimento dos países.

Apesar da queda no consumo de tabaco nas últimas décadas, o número de fumantes no país ainda é elevado: cerca de 25 milhões com idade igual ou superior a 15 anos. Contudo, 45,6% dos fumantes tentaram parar de fumar nos últimos 12 meses, o que correspondeu a cerca de 12 milhões de pessoas.

A PETab confirmou a urgência de reforçar as recomendações da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco. A Convenção é o primeiro tratado de saúde pública da história, ratificado por 168 países-membros da Organização Mundial de Saúde, de um total de 192. O texto determina, por exemplo, ações específicas de proteção ao tabagismo passivo.

A pesquisa ainda apontou que uma em cada cinco pessoas foi exposta à fumaça do cigarro em locais públicos em geral. Isso correspondeu a cerca de 26 milhões de pessoas, das quais 22 milhões eram não fumantes. Os jovens foram mais 10% expostos ao fumo passivo em locais públicos do que os adultos, perfazendo um total de 6,2 milhões de jovens.

“É preciso que a legislação em vigor, que ainda permite fumódromos, seja alterada para impedir 100% o uso de produtos do tabaco que emitem fumaça em ambientes coletivos e fechados”, alerta Liz Maria de Almeida, gerente de Divisão de Epidemiologia do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

Ainda de acordo com a PETab, do total de pessoas de 15 anos ou mais, 96,1% acreditavam que fumar poderia causar doenças graves. Outro dado em destaque é a elevada percepção da relação entre o uso de tabaco e o câncer de pulmão: 94,7% do total das pessoas entrevistadas, sendo 90,6%, fumantes, e 95,6%, não fumantes.

O tabagismo é a principal causa de tumores malignos evitáveis, como explica o cirurgião torácico e diretor do Hospital do Câncer I, Paulo de Biasi. “Se as pessoas não fumassem ou parassem de fumar isso evitaria dezenas de tipos de câncer, entre eles, os de pulmão, estômago, bexiga e colo do útero. Noventa por cento dos pacientes com câncer de pulmão no INCA são fumantes”, observa.

Outro problema grave é o tabagismo passivo. “Quanto mais cedo, uma pessoa é exposta ao cigarro em ambientes com fumantes, maior a possibilidade de vir a desenvolver câncer na vida adulta”, conclui de Biasi.

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