Mais de 10 milhões de receitas de antibióticos são desnecessárias

Estudo feito nos EUA mostra que crianças com gripe e asma costumam receber esses medicamentos

08 de novembro de 2011 | 17h54

A cada ano, pediatras fazem mais de 10 milhões de prescrições de antibióticos desnecessárias nos Estados Unidos. As receitas são usadas em casos como gripe e asma, contribuindo para a resistência às drogas, mostra um novo estudo.

Pesquisadores analisaram uma amostra de quase 65 mil visitas ambulatoriais de menores de 18 anos, entre 2006 e 2008. Os achados estão descritos no periódico Pediatrics.

No total, os médicos prescreveram um antibiótico a cada cinco visitas, a maioria para crianças com problemas respiratórios como pneumonia.

Algumas dessas infecções realmente eram causadas por bactérias e precisavam de antibióticos. Mas quase um quarto de todas as prescrições foram dadas a crianças com condições respiratórias que provavelmente não precisavam desse tipo de medicamento, como bronquites, gripe, asma e alergias.

"Isso equivale a mais de 10 milhões de prescrições de antibióticos a cada ano que provavelmente não farão nenhum bem, mas podem causar danos", diz o líder do estudo, Adam Hersh, da University of Utah.    

"Um dos motivos do abuso é que o diagnóstico frequentemente não está claro. Isso é comum nas infecções de ouvido. A decisão acaba sendo de prescrever o antibiótico, só para garantir", ele diz ele.

Metade de todos os antibióticos prescritos eram de amplo espectro, que agem contra uma vasta gama de bactérias, matando inclusive muitas das benéficas que vivem no nosso organismo e abrindo caminho para infecções por bactérias resistentes.

"Antibióticos são ótimos. Às vezes eles são realmente necessários, a questão é ser criterioso sobre quando devemos usá-los", diz Betsy Foxman, epidemiologista da University of Michigan School of Public Health.

Além disso, dar antibióticos a crianças quando não é necessário aumenta o risco de infecções resistentes tanto na criança quanto na sociedade como um todo, ela enfatiza.

Para Hersh, uma forma simples de evitar o abuso seria esperar alguns dias e examinar a criança novamente antes da prescrição. "Se o diagnóstico é incerto, considere se seria seguro esperar um dia ou dois, mantendo um acompanhamento bem próximo da criança, em vez de começar imediatamente com o antibiótico."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.