Mais de 5 milhões de brasileiras sofrem de endometriose

Para grande parte das mulheres, o período menstrual pode ser considerado doloroso e cheio de limitações. Elas sofrem cólicas terríveis, tomam medicamentos e, em alguns casos, não conseguem nem trabalhar. Mesmo com tantos incômodos, a maioria não procura um ginecologista. O que muitas não sabem é que podem ter sido atingidas por um problema muito mais sério: a endometriose. De acordo com a Associação Brasileira de Endometriose (Abend), mais de 5 milhões de brasileiras (cerca de 14% das mulheres entre 11 e 45 anos) sofrem desse mal que nada mais é do que um desajuste que ocorre durante a menstruação, onde parte do que deve ser excretado fica dentro do corpo e atinge órgãos vitais para o bom funcionamento do organismo. "Passei mais de dez anos tendo cólicas fortíssimas, mas nunca procurei um ginecologista. Quando já estava no meu limite, fui ao médico e descobri que tinha um cisto no ovário. Fiz uma cirurgia imediatamente mas, mesmo assim, a dor não diminuiu. Minha relação sexual era muito dolorida e incômoda. Criei coragem, procurei outro especialista e descobri que era endometriose. Ele sugeriu um tratamento para não menstruar mais. Fiz, deu certo e há cinco anos não sofro mais", declara a dona de casa Silvia Souza Ferraz, 38 anos. Tire suas dúvidas sobre a endometriose - Segundo especialistas, não existe prevenção para a doença, mas as mulheres que usam anticoncepcionais orais para o controle da gestação podem ter uma menor incidência da endometriose. De acordo com Mauricio Simões Abrão, responsável pelo Setor de Endometriose do Hospital das Clínicas, há grandes avanços no diagnóstico e no tratamento. "A cirurgia tem sido minimamente invasiva e feita, na maioria das vezes, por pequenos cortes. Caso o tratamento seja clínico, existem benefícios com o bloqueio e equilíbrio hormonal." Desde o último dia 23, a cidade de São Paulo tornou-se a sede mundial do Simpósio Internacional de Endometriose, no Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio-Libanês. Nesse evento, médicos e especialistas discutiram sobre os novos tratamentos clínicos, como lidam com as pacientes e as normas para tratamentos da doença. Hoje, os estudiosos deixarão de lado os termos técnicos e receberão para um bate-papo gratuito, às 14h, o grande público. "Acho importante que as mulheres participem, pois é hora de acabar com as dúvidas. Além disso, elas serão informadas sobre os atuais tratamentos", diz Carlos Alberto Petta, médico do Centro de Reprodução Humana de Campinas e coordenador do evento. Para participar do encontro, não é necessário fazer a inscrição. Basta chegar com antecedência. Mais informações: 4198-8228. Acupuntura - A acupuntura, técnica medicinal chinesa, pode ser uma alternativa no tratamento da endometriose. Hong Jin Pai, médico da equipe de Acupuntura do Centro de Dor do Hospital das Clínicas, revela como é feito esse procedimento. Como a acupuntura ajuda na cura da endometriose? Ela funciona como um analgésico e deixa a paciente mais relaxada. Nos casos mais complicados, esse método não tem efeito. Muitas vezes, a paciente que sofre dessa doença é extremamente angustiada. É nessa hora que entra o tratamento com as agulhas, pois o emocional torna-se conseqüência do problema. Como é o tratamento? É um procedimento muito simples que consiste na aplicação das agulhas uma vez por mês, durante três ciclos consecutivos antes da menstruação. Em algumas situações, esse processo pode ser estendido. De que forma a medicina ocidental lida com o assunto? Existe muita polêmica, pois algumas mulheres sentem muita dor e outras, não. Cada caso é um caso. Algumas são bem jovens e sonham com a gravidez e, por isso, o médico não pode interferir nessa decisão e interromper a menstruação da paciente para sempre. Pode ser considerada uma medida injusta e radical.

Agencia Estado,

25 de março de 2006 | 12h50

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