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Mais de 50% dos doentes crônicos param tratamento por falta de dinheiro

Indivíduos de classes econômicas baixas comprometem cerca de 10% do salário com a saúde da família

estadão.com.br

07 Maio 2010 | 11h23

RIO - O acesso a medicamentos de uso contínuo para enfermidades crônicas ou recorrentes, como as doenças cardiovasculares e a hipertensão, ainda é uma dificuldade no Brasil, sobretudo para as pessoas mais pobres. De acordo com Andréa Brandão, diretora da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), 51,7% dos brasileiros que sofrem dessas doenças interrompem o tratamento por falta de dinheiro.

 

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A médica explicou que se um indivíduo ganha um salário mínimo e compromete entre R$ 40 e R$ 50 por mês com medicamentos ou com a manutenção da boa saúde familiar, isso representa em torno de 10% do que ele recebe. "Acaba sendo uma relação que compromete muito o tratamento", disse. Segundo ela, as classes econômicas mais baixas são as mais prejudicadas.

 

A diretora da SBC disse que o governo vem tentando fazer algo que facilite o acesso da população, por meio dos medicamentos da cesta básica, que estão disponibilizados nas farmácias populares em valores reduzidos. A médica reconheceu que a cesta não inclui todos os medicamentos que os especialistas gostariam. "Você tem aí uma facilidade para acessar alguns medicamentos, mas não são todos e nem sempre atendem aos casos dos pacientes. E nem todos os pacientes conseguem manter o tratamento, por razões diferentes".

 

Além da falta de dinheiro para acessar os medicamentos, Andréa relatou que existem também fatores culturais e sociais que precisam ser revistos. "No caso da hipertensão, há necessidade de que a população seja mais instruída em relação à doença e ao uso continuado do tratamento", indicou a cardiologista.

 

Para quem sofre de hipertensão (pressão alta), Andréa Brandão afirmou que a principal dificuldade "é manter (o doente) sob tratamento contínuo, para o resto da vida". Existem problemas financeiros para custear o tratamento, que abrange não só a compra de medicamentos, mas também a realização de consultas médicas e o acesso aos exames necessários para uma boa avaliação.

 

Segundo a especialista, o sistema público de saúde brasileiro é bom, mas não supre tudo que a população necessita. "Ele (SUS) pretende atender a maior parte da população brasileira, mas a gente reconhece que há deficiências".

(Com informações da Agência Brasil)

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