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Mais de 50% dos homens nunca foram ao urologista, diz pesquisa

Levantamento da Sociedade Brasileira de Urologia também aponta que 62% já usaram estimulantes contra disfunção erétil sem indicação médica; Dia do Homem é celebrado nesta quarta

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

14 Julho 2015 | 14h40

Atualizada às 20h29

SÃO PAULO - Metade dos homens brasileiros nunca foi ao urologista. Essa foi a constatação de uma pesquisa feita pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) como parte das comemorações do Dia do Homem, celebrado nesta quarta-feira, 15. Segundo o levantamento, realizado em parceria com o laboratório Bayer, 51% dos 3.200 homens entrevistados nunca foram ao especialista.

Medo e falta de tempo foram motivos apresentados pelos entrevistados na pesquisa, feita no dia 24 de junho em oito capitais: São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Salvador e Recife - foram ouvidos 400 homens de cada cidade, com idade a partir de 35 anos.

“Fazemos ações com o objetivo de atrair o homem para a consulta, mas muitos dizem que não têm tempo ou acham que não têm motivos para ir ao médico, mas o paciente tem de checar”, explica Roni Fernandes, presidente da regional São Paulo da Sociedade Brasileira de Urologia.

Segundo Fernandes, a idade geralmente indicada para que os homens busquem especialistas para verificar o risco de câncer de próstata é aos 50 anos e grande parte dos homens não vai ao urologista antes dessa idade. “Não há uma idade certa para o homem ir ao urologista. Ele pode ir desde a adolescência, passando pela faixa dos 20 aos 40 anos para verificar a fertilidade. O homem tem de estabelecer uma rotina.”

Dos 1.585 homens que afirmaram que vão ao urologista, 28% disseram que comparecem às consultas uma vez por ano e 15% disseram que tinham ido há mais de três anos. 

O representante comercial Francisco Barbosa, de 55 anos, está no grupo de homens que nunca foram ao urologista. “Acho que nós temos de tentar chegar a 20% do que as mulheres fazem, porque os homens sempre ficam esperando para ir ao médico e elas sempre vão.”

Barbosa diz que ainda não buscou o especialista por falta de interesse. “Não tenho diabete nem pressão alta. Jogo bola, caminho e corro, mas sei que é melhor prevenir.”

A cada seis meses, o pintor Paulo de Tarso, de 52 anos, vai ao médico, pois tem pressão alta. Mesmo com os cuidados constantes, também nunca foi ao urologista. “É um tipo de relaxamento. Não tenho medo de ir e penso em marcar.”

O autônomo José Edvânio Matos, de 27 anos, está fora da faixa etária pesquisada, mas pensa em começar a se cuidar. “Eu tenho de ir ao médico, preciso cuidar da minha saúde. Vou, no máximo, ao clínico-geral e, para ser sincero, nem sei o que um urologista faz.”

Ele estava em busca de informações sobre exames voltados para homens que estão sendo realizados na Estação Sé do Metrô, na região central da capital. O trabalho começou nesta terça-feira e seguirá nesta quarta, das 6h às 14h. No local, estão sendo oferecidos exames gratuitos de glicemia, medição de pressão e cálculo do Índice de Massa Corpórea (IMC).

Medicações. Um dado que surpreendeu os especialistas foi o alto índice de automedicação em casos de disfunção erétil. “A pesquisa mostrou que 62% dos homens usaram estimulantes sem indicação médica, dos quais 41% por recomendação de amigos e 47% com o objetivo de aumentar o apetite sexual”, informou Carlos Sacomani, diretor de Comunicação da SBU, que apresentou os dados. Outros 39% compraram por indicações em farmácias.

Entre os entrevistados na pesquisa, 71%, ou 2.272 homens, não sabem quais são os sintomas da andropausa, denominação popular para o distúrbio androgênico do envelhecimento masculino, que é uma das causas da disfunção erétil. “Entre os sintomas, estão a diminuição da libido, depressão, distúrbios do sono, redução da força e da massa muscular”, explica Sacomani.

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