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Mais de 9% dos idosos paulistanos abusam do álcool, diz estudo

Segundo pesquisa feita com pessoas com 60 anos ou mais, grau de escolaridade influi na incidência do abuso

estadao.com.br,

09 de março de 2010 | 12h58

Mais de 9% dos idosos paulistanos consomem bebida alcoólica em excesso, segundo estudo realizado pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clinicas de São Paulo, ligado à Secretaria de Estado da Saúde.

 

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De acordo com a secretaria, o levantamento, feito com 1.563 pessoas com 60 anos ou mais, apontou que 9,1% dessa população abusa do álcool, o equivalente a 88 mil idosos da capital. Mais do que isso, o estudo traçou um perfil dos idosos que sofrem com o problema.

 

Entre os dados que se destacam na pesquisa, está a influência da escolaridade na incidência do alcoolismo na população idosa. Entre os idosos que nunca estudaram está o mais alto índice: 15,9%. A taxa vai caindo conforme aumenta o tempo de estudo dos idosos. Na faixa que estudou de um a quatro anos, o índice de alcoolismo é de 10,9%; entre os que estudaram de 5 a 8 anos, o índice é de 7,5%; de 9 a 11 anos de estudo, índice de 4,4%; já entre os idosos que estudaram por 12 anos ou mais, o índice de alcoolismo cai a 2,2%.

 

A pesquisa também mostrou que o alcoolismo está presente em todas as classes econômicas, mas principalmente entre as camadas mais pobres. A classe A tem 7% de sua população idosa sofrendo com o alcoolismo; na classe B, são 3,1% dos idosos; na classe C, 8,8% dos idosos; na classe D, 13,6% dos idosos; na classe E, 18,3% dos idosos.

 

Em relação ao estado civil, o maior índice de alcoolismo está entre os idosos casados, com 13% de idosos alcoólatras. Os solteiros têm índice de 6,6%; separados ou divorciados, 5,6%. Já entre viúvos, o índice é de 4,2%.

No geral, o índice de alcoolismo entre os homens idosos atingiu os 20%. Entre as mulheres, esse índice ficou em 3,1%.

 

Os números são preocupantes. O consumo excessivo de álcool é extremamente prejudicial à saúde desses homens e mulheres acima dos 60 anos. Além dos males clínicos à saúde, há também os problemas sociais, de relacionamento com a família e com os amigos", afirma Cássio Bottino, coordenador do programa de Terceira Idade do Instituto de Psiquiatria.

 

Clínicas especializadas

 

A secretaria mantém dois serviços especializados em tratamento de adultos dependentes de álcool e drogas. Uma em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, e outro em Itapira, no interior. O projeto terapêutico tem coordenação do professor Ronaldo Laranjeira, professor titular do Departamento de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (Unifesp).

 

O atendimento é feito por equipe multidisciplinar formada por médicos, enfermeiros, psicólogos e terapeutas ocupacionais, entre outros. Além de medicação específica, os pacientes em tratamento têm atendimento psicológico individual e coletivo, participarão de atividades físicas e esportivas como caminhada, natação e futebol e realizarão terapias ocupacionais, como oficinas de pintura, artesanato e expressão corporal, entre outras.

 

O objetivo das duas clínicas é oferecer um modelo voltado à desintoxicação, mas fora do ambiente de enfermaria hospitalar para o qual essas pessoas costumam ser encaminhadas. Cabe aos municípios realizar a triagem desses pacientes, verificando a necessidade de internação.

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