Niels Andreas /AE
Niels Andreas /AE

Mais de 94% da população mundial está exposta a fumo passivo

OMS diz que há provas científicas de que a exposição à fumaça de cigarros causa morte e doenças graves

Reuters,

09 Dezembro 2009 | 12h56

Mais de 94% da população mundial não está legalmente protegida contra o fumo, ficando assim exposta à principal causa evitável de mortes, disse a Organização Mundial da Saúde (OMS) na quarta-feira, 9.

 

Em seu relatório sobre a Epidemia Global do Tabaco, a OMS disse que políticas antifumo são cruciais para reduzir o dano causado pelo fumo passivo, que estaria matando prematuramente 600 mil pessoas por ano, além de causar doenças incapacitantes e prejuízos de dezenas de bilhões de dólares.

 

O relatório, no entanto, aponta alguns progressos. Em 2008, cerca de 154 milhões de pessoas (2,3% do total mundial) foram beneficiadas por novas leis antifumo. Mas os governos ainda precisam agir com rapidez para evitar muitas outras mortes.

 

Veja também:

linkSUS deve investir mais em medicamentos de combate ao fumo

linkControle de tabagismo evitaria mais de 110 mil casos de câncer

 

"O fato de mais de 94% das pessoas continuarem desprotegidas por leis antifumo abrangentes mostra que é preciso muito mais trabalho", disse Ala Alwan, especialista da OMS em doenças não-transmissíveis.

 

Há provas científicas irrefutáveis de que a exposição à fumaça de cigarros causa morte e doenças graves. Nas últimas quatro décadas, a prevalência de fumantes caiu em países ricos, mas vem crescendo em grande parte do mundo em desenvolvimento. A OMS disse que em 2008 sete países (Colômbia, Djibuti, Guatemala, Maurício, Panamá, Turquia e Zâmbia) adotaram leis abrangentes contra o fumo, elevando a 17 o total de países com tal legislação.

 

O tabagismo mata mais de 5 milhões de pessoas por ano no mundo. Em agosto, a Fundação Mundial do Pulmão estimou que o fumo possa matar 1 bilhão de pessoas neste século.

 

"A não ser que uma ação urgente seja tomada para controlar a epidemia tabagista, o número anual de mortes pode subir para 8 milhões até 2030", disse o relatório da OMS. "Mais de 80 por cento dessas mortes prematuras ocorreriam em países de renda baixa e média - em outras palavras, precisamente onde é mais difícil evitar e arcar com tais perdas tremendas."

 

A OMS apontou uma enorme carência de verbas nos esforços contra o tabagismo - para cada US$ 173 recolhidos em impostos sobre o tabaco, só US$ 1 é gasto em medidas para tentar ajudar a população a parar de fumar.

 

Os avanços na proibição da propaganda e na taxação de cigarros pararam, disse o relatório, e 95% das pessoas vivem em lugares onde o imposto representa menos de 75% do preço de varejo do produto.

 

A OMS conclamou os governos a implementarem as regras da sua convenção-quadro sobre o controle do tabagismo, assinada por 170 países. Essa convenção prevê medidas para evitar o consumo direto de cigarros e o fumo passivo, para oferecer apoio a quem quiser deixar o hábito, para proibir a publicidade e para elevar impostos sobre o tabaco. No momento, menos de 10% da população mundial está coberta por alguma dessas medidas, segundo a OMS.

Mais conteúdo sobre:
cigarro fumo passivo mundo

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.