Mais de três anos após incêndio, Instituto Butantã reabre coleções

Inauguração foi marcada por protestos de pesquisadores e funcionários, que cobram reparos em outras áreas

Victor Vieira, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2013 | 02h13

O novo prédio de coleções zoológicas do Instituto Butantã, na zona oeste de São Paulo, foi inaugurado nessa terça-feira, 24, 3 anos e 4 meses depois do incêndio que destruiu o laboratório de répteis e 80% do acervo de cobras. Com faixas e cartazes, funcionários aproveitaram a cerimônia para cobrar do governador Geraldo Alckmin (PSDB) reparos nos outros imóveis do instituto. Eles dizem que várias unidades têm infiltrações e falhas em sistemas de prevenção de fogo.

O novo prédio de coleções tem 1,6 mil metros quadrados e dois andares. As coleções de répteis, anfíbios, aracnídeos e insetos foram divididas em sete salas para evitar que chamas se alastrem em caso de incêndio. Além de hidrantes e extintores, foi instalado o sistema de gás FM 200, que absorve calor e elimina oxigênio para evitar combustões dentro do local. Dos R$ 5,5 milhões gastos no prédio, quase um terço foi investido no equipamento de incêndio.

Prevista para fevereiro de 2012, a entrega da obra atrasou, segundo a diretoria, porque uma das empresas concorrentes na licitação recorreu após não ser escolhida.

Acervo. Os pesquisadores agora podem avaliar as perdas e catalogar novamente as amostras que não foram queimadas. Dos cerca de 90 mil exemplares de cobras (a maior coleção de animais tropicais do mundo), sobraram menos de 20 mil. "Parte do acervo era de espécimes que não existem mais e nunca serão recuperados", lamenta o curador da coleção de répteis. Francisco Luís Franco. Ele estima que a coleção de répteis deve ser totalmente recomposta só em dez anos.

Aos manifestantes, o diretor do instituto, Jorge Kalil, disse que reformas são feitas nos outros imóveis, apesar do baixo orçamento. Também deve ser feito novo concurso para pesquisadores neste ano.

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