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Mais maconha, menos álcool

Estudo mostra que jovens americanos estão trocando a bebida pela droga

Jairo Bauer, O Estado de S.Paulo

07 Agosto 2016 | 05h00

Novo mapa do comportamento do adolescente americano em relação às drogas mostra que boa parte dos estudantes do ensino médio está trocando os excessos com bebida pelo maior consumo de maconha. Em contraste, os jovens europeus ainda bebem muito mais do que fumam maconha.

O estudo, produzido pelo Project Know, traz novas informações para o debate sobre a legalização da maconha. Curiosamente, vai contra um relatório recente do Departamento de Saúde, que revelou uma queda de consumo de álcool e maconha entre os adolescentes americanos, mesmo nos Estados que legalizaram o consumo da droga.

No geral, cerca de 20% dos adolescentes americanos consumiram maconha no mês anterior à pesquisa, taxa superior às dos países europeus (10%, em média), exceções feitas à Espanha (20%) e à França (24%). Os dados foram publicados pelo Daily Mail.

A capital americana teve a taxa mais alta de consumo de maconha e a mais baixa de “binge drinking” (beber cinco ou mais doses em menos de duas horas). Washington legalizou recentemente a maconha, mas os dados da pesquisa são anteriores a esse processo. O relatório também revela que o consumo de cocaína é incomum entre os estudantes (droga mais cara), já os remédios para aliviar dor (do tipo opioides) e para ansiedade (benzodiazepínicos) tiveram uma tendência de aumento.

Casa, marketing e sexo. Dois outros estudos, também divulgados na última semana, ajudam a entender melhor alguns fatores que poderiam ajudar a regular o consumo de drogas pelos mais jovens.

O primeiro trabalho, da Universidade do Estado de Michigan, nos EUA, mostra que adolescentes com fácil acesso a álcool e drogas em casa são mais propensos a beber e a usar essas substâncias aos 20 anos. Foram analisados dados de uma pesquisa nacional com mais de 15 mil pessoas sobre saúde adolescente, com entrevistas feitas aos 16, 22 e 29 anos. Os meninos foram, de maneira geral, mais expostos às drogas em casa do que as garotas e, também, tiveram mais contato com elas no início da vida adulta.

O segundo estudo, publicado pelo jornal médico Addiction e divulgado pelo site Medical News Today, mostra que a exposição a diferentes ações de marketing de bebida está associada a maior frequência e quantidade de álcool ingerido pelos adolescentes na Europa, considerada a área do mundo com consumo mais elevado de bebida.

O trabalho, do Centro Europeu de Monitoramento de Marketing do Álcool, envolveu mais de 9 mil jovens em Alemanha, Itália, Holanda e Polônia, que foram expostos a anúncios online e na TV, a patrocínio de bebida em eventos e a promoções, como distribuição de brindes e amostras grátis. Todas as ações influenciaram o maior consumo dos jovens.

Os dois estudos reforçam a necessidade de trabalhar a questão do álcool e das drogas tanto na sala de aula como em casa, dificultar o acesso à bebida e às diversas substâncias no ambiente doméstico, além de restringir as ações de marketing – e não apenas os anúncios de TV, como ainda se faz de forma muito modesta, por exemplo, aqui no Brasil.

Para completar as estratégias para tentar reduzir o consumo de álcool e maconha pelos mais novos, é bom citar o resultado de outra pesquisa recente, da Universidade de Nova York (NYU) e publicada pelo Daily Mail. Embora a bebida esteja mais relacionada ao arrependimento de ter feito sexo com alguém desconhecido, as duas drogas pioram o desempenho sexual, com álcool atrapalhando a ereção e a maconha causando ressecamento vaginal. Achou pouco? As duas, também, aumentam a chance de fazer sexo sem proteção. Quem sabe falar de sexo não faça o jovem pensar melhor antes de beber ou fumar maconha?

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