Mais Médicos: SP não pagou auxílio a profissionais

Prefeitura admite atraso na quantia para alimentação, moradia e transporte dos intercambistas, que já estão atendendo nos postos

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

08 Novembro 2013 | 02h12

Desde 16 de setembro a serviço da Prefeitura de São Paulo, os profissionais selecionados pelo programa Mais Médicos para trabalhar nos postos da capital ainda não receberam o valor prometido pelo governo para auxiliá-los no pagamento de moradia, transporte e alimentação.

Segundo as regras do programa, a responsabilidade pelo pagamento é dos municípios, que teriam esse custo como única contrapartida para serem aceitos. Em São Paulo, o valor do auxílio é de R$ 2.497 mensais. A bolsa de R$ 10 mil dada a cada médico é bancada pela União.

O atraso no pagamento foi confirmado ontem pela Secretaria Municipal da Saúde. A pasta alega que a demora ocorreu "em razão da necessidade de apresentação dos documentos por parte dos médicos, dos processos administrativos para garantir o repasse e da entrega da comprovação dos gastos feitos, pois envolvem recursos públicos".

De acordo com a secretaria, todos os profissionais receberão os valores retroativos até segunda-feira e, a partir de dezembro, o pagamento será feito até o quinto dia útil do mês.

Por enquanto, o médico boliviano Flavio Alejandro Baldiviezo Gomes, de 33 anos, paga do próprio bolso o aluguel de um apartamento no Tatuapé, na zona leste, mesma região em que está o posto de saúde onde trabalha. São R$ 2 mil por mês.

Demora. Gomes está entre os profissionais intercambistas (estrangeiros ou brasileiros formados no exterior) do programa que iniciaram o atendimento nos postos de saúde da capital nesta semana, quase dois meses após a data prevista.

Entre segunda e terça-feira, 12 dos 13 profissionais recrutados por meio do programa do governo federal iniciaram as consultas. Um médico boliviano ainda está resolvendo pendências na documentação. Entre os intercambistas estão seis brasileiros, quatro bolivianos, uma argentina, uma portuguesa e um venezuelano. Além deles, três brasileiros formados no País já haviam iniciado o atendimento em setembro.

O trabalho dos médicos não foi iniciado antes pela demora na emissão do registro provisório pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). O documento foi emitido pelo Ministério da Saúde somente na semana passada, após a sanção da medida provisória que regulamenta o programa, em 22 de outubro. A MP autorizou a pasta a emitir o registro, atribuição que era exclusiva dos conselhos regionais.

Com quase metade da equipe de médicos desfalcada, a UBS Reunidas 2, em Sapopemba (zona leste), foi o destino de Gomes. "A atenção básica é igual em todo o mundo. Aqui, a maioria dos pacientes vem por causa de doenças crônicas, é tranquilo. A única dificuldade inicial é o idioma, mas não tive nenhum problema", afirma.

Cansados da falta de médicos e da alta rotatividade na unidade, os pacientes da UBS comemoraram a vinda de um novo profissional. "Passei aqui há três meses com uma médica, fiz os exames e, quando voltei para mostrá-los, ela tinha saído. Os médicos não param aqui. Pelo menos esses são obrigados a ficar", disse a aposentada Iraíldes de Castro Montenegro Bressane, de 80 anos, uma das pacientes de Gomes na manhã de ontem. "Ele pediu todos os exames de novo", contou.

Inserida no programa Estratégia Saúde da Família, a UBS Reunidas 2 tem sete equipes e quatro delas estavam sem médico. Segundo a gerente da unidade, Ivaldete Rodrigues da Silva, uma das ausências foi preenchida por Gomes e as outras três equipes receberão os médicos cubanos da segunda fase do programa. Em toda a cidade, serão 76 profissionais vindos da ilha.

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