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Mais planejamento reduziria mortes de bebês em 50%, diz ONU

Programas de assistência também poderiam reduzir em 66% o número de abortos realizados de forma perigosa

BBC

09 Dezembro 2009 | 10h06

Se o mundo dobrasse a quantia que gasta hoje com planejamento familiar e assistência durante a gravidez em países em desenvolvimento, 70% das mortes de mães e 50% das mortes de bebês recém-nascidos poderiam ser evitadas, segundo um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU).

 

Investimentos direcionados também poderiam reduzir em dois terços o número de gravidezes indesejadas e de abortos realizados de forma perigosa, contribuindo também para uma redução na pobreza, diz o documento.

 

Produzido pelo Guttmacher Institute e UNFPA, o Fundo da População das Nações Unidas, o relatório diz que meio milhão de mães e 3,5 milhões de bebês recém-nascidos morrem todos os anos em países em desenvolvimento.

 

Segundo os especialistas, essas mortes poderiam ser facilmente evitadas. "Investir em um punhado de serviços básicos de saúde, como planejamento familiar e assistência de rotina durante a gravidez e no parto, poderia salvar milhões de mulheres e bebês", disse a presidente do Guttmacher Institute, Sharon Camp.

 

"Não é ciência espacial. São serviços básicos que podem ser oferecidos a baixos custos e localmente, suplementados por assistência de emergência quando necessário".

 

Maior Eficiência

 

Cerca de US$ 12 bilhões são gastos anualmente no mundo em planejamento familiar e assistência à mãe e bebê - a maior parte desse dinheiro vem de países desenvolvidos e das próprias famílias.

 

O relatório sugere que o investimento total necessário para evitar milhões de mortes em países pobres seria pouco mais do que o dobro desse valor, cerca de US$ 24,6 bilhões.

 

Intitulado Adding It Up: The Costs and Benefits of Investing in Family Planning and Maternal and Newborn Health, ("Fazendo a Soma: Os Custos e Benefícios de se Investir em Planejamento Familiar e Saúde da Mãe e do Bebê", em tradução livre), o relatório também ressalta que o investimento em planejamento familiar aumenta a eficiência de cada dólar gasto com a oferta de assistência à mãe durante a gravidez e ao recém-nascido.

 

Ou seja, investir simultaneamente em planejamento familiar e em serviços para a mãe e bebê pode produzir os mesmos benefícios, gastando-se US$ 1,5 bilhão a menos, do que quando o investimento é feito apenas em assistência à mãe e ao recém-nascido.

 

"O relatório mostra a melhor forma de se direcionar os recursos para alcançar os maiores ganhos. Investir nas mulheres tem benefícios enormes, não apenas para indivíduos e famílias, mas para a sociedade como um todo", disse a presidente do Guttmacher Institute, Sharon Camp.

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