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Mal do país de Oswaldo Cruz persiste há 100 anos

Pesquisadores da Fiocruz criticam falta de ações sanitárias e de saúde básicas

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2017 | 23h27

Conhecido por promover a imunização obrigatória da população – o que gerou forte resistência, na chamada Revolta da Vacina – e combater a febre amarela e a varíola no início do século 20, o sanitarista Oswaldo Cruz foi também um dos primeiros no País a destacar a necessidade de se investir em saneamento para a diminuição de doenças. Cem anos após a sua morte, completados no dia 11, pesquisadores da fundação com o nome do médico (Fiocruz) criticam a pouca importância dada ao tema até hoje, negligência que impede o controle de enfermidades.

“Uma das coisas mais importantes que Oswaldo Cruz fez foram as expedições para o interior do Brasil, principalmente nos entornos dos portos marítimos e fluviais. Foi aí que ele começou a tomar contato com as condições de vida da população e das cidades”, conta Ana Luce Girão, historiadora e pesquisadora da Casa de Oswaldo Cruz, unidade da Fiocruz destinada à pesquisa e à documentação da história das ciências e da saúde.

“Ele não olhava só para os operários doentes. Ele via como era a cidade, como as pessoas viviam e que tipo de coisa tornava aquele local insalubre, como matadouros de animais, esgoto, falta de saneamento básico”, diz a pesquisadora.

“É triste vermos o saneamento como questão problemática até hoje. Enquanto não tivermos tratamento de esgoto e abastecimento de água regulares, vamos enxugar gelo. Como o Estado vai cobrar o cidadão a combater criadouro de mosquito, por exemplo, se não faz a parte dele?”, questiona Ana Luce.

De acordo com o mais recente relatório do Ministério das Cidades, somente 40% do esgoto gerado no País recebe tratamento.

Interesses. Bisneta do sanitarista e também pesquisadora da Fiocruz, a socióloga e documentarista Stella Oswaldo Cruz critica a interferência de interesses políticos na implementação de políticas de saneamento. “O saneamento básico do Rio de Janeiro, por exemplo, é do inicio do século 20. As favelas não têm esgoto canalizado e as crianças brincam nesse ambiente. Isso traz mais doenças”, afirma.

“Parece que investir em saneamento não dá visibilidade aos políticos. Só que é necessário perceber que algumas questões têm dimensão pública, e não política. Uma medida precisa ser pensada para durar mais do que um cargo”, diz ela.

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