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Contrariando recomendação para evitar coronavírus, Malafaia diz que não irá diminuir cultos

Líder da igreja pentecostal Assembleia de Deus Vitória em Cristo disse que Estados terão que recorrer à Justiça para fechar as igrejas que ele lidera

Gabriel Caldeira, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2020 | 13h44

SÃO PAULO - O pastor e líder da igreja pentecostal Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Silas Malafaia, afirmou, em vídeo publicado em seu canal no YouTube, que não irá diminuir o número de cultos nem fechar igrejas por causa da pandemia do novo coronavírus, contrariando recomendações das autoridades de saúde para que não haja aglomerações.

Até terça-feira, pelo menos 291 pessoas tinham sido identificadas com o vírus no Brasil, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde. Para Malafaia, a igreja é "tão importante quanto as medidas contra" a doença. Em todo o mundo, mais de 7 mil pessoas já morreram em decorrência da doença.

O pastor afirmou que só suspenderia os cultos caso a covid-19 force as prefeituras e Estados a interromper o funcionamento dos meios de transporte coletivos. Mas o pastor ressaltou que deixará igrejas abertas para atender pessoalmente os fiéis. 

Malafaia propôs como alternativa que "forças-tarefa" sejam deslocadas para estações de trem, metrô e terminais de ônibus com o objetivo de "fazer uma limpeza para amenizar" a disseminação da doença.

 

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Em postagem no Twitter na manhã desta quarta, 18, Malafaia reiterou sua posição e disse que Estados terão que recorrer à Justiça para fechar as igrejas que ele lidera. "Coronavírus! Querem fechar as igrejas que sou pastor? Recorram à Justiça", escreveu na legenda de um vídeo no qual cita especificamente os governos de Santa Catarina e Pernambuco.

As igrejas do Vitória em Cristo estão localizadas em dez Estados de três regiões do Brasil. Há também uma filial em Lisboa, Portugal.

É a segunda vez na semana que um pastor evangélico vem a público minimizar os riscos do coronavírus, apesar de todos os alertas que vêm sendo feitos pelas autoridades de saúde de que a melhor maneira de evitar a transmissão é o distanciamento social, além das medidas de higiene. 

Em uma transmissão ao vivo em sua página no Facebook no domingo, o bispo Edir Macedo disse aos fiéis que não se preocupem com a propagação do coronavírus. Ele atribuiu a tensão que o mundo vive com a doença a uma "tática de Satanás" e ao trabalho da mídia. 

A posição é diferente da que vem sendo tomada por líderes católicos. Em todo o Brasil e o mundo, missas estão sendo suspensas. Entre as que foram mantidas, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) pediu para que idosos e doentes não compareça. A CNBB também suspendeu encontros, assembleias, seminários e eventos em que haja aglomeração de pessoas. 

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