Manifestantes fazem ato contra política de prevenção e tratamento de aids no Brasil

Eles criticaram as altas taxas de mortalidade no País, a demora entre o diagnóstico, entre outras questões

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

19 Novembro 2014 | 22h28

BRASÍLIA - Integrantes de movimentos sociais e da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) fizeram na manhã desta quarta-feira, 19, uma manifestação em São Paulo contra a condução da política de prevenção e tratamento de aids no Brasil. No manifesto, representantes da Abrasco criticaram as altas taxas de mortalidade de aids no Brasil, a demora entre o diagnóstico da doença e o início do atendimento e a deterioração da qualidade dos serviços de saúde voltados para pacientes. 

A taxa de mortalidade de aids em 2012 foi de 6,2 óbitos a cada 100 mil habitantes. Um indicador maior do que o apresentado em 2006: 5,9 por 100 mil habitantes. "Todo ano, quando se aproxima o Dia Mundial de Luta Contra a Aids (1º de dezembro) o Ministério da Saúde divulga dados "comemorando" a "estabilidade" do número de mortes. Alguns Estados e municípios chegam até a comemorar a "redução" das mortes. Trata-se de manipulação da realidade por meio da divulgação seletiva de dados absolutos", aponta o documento. Na avaliação do manifesto, os números demonstram a falência do programa brasileiro de aids.

O diretor do departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, Fábio Mesquita, no entanto, contesta os indicadores. Ele argumenta que no cálculo das taxas de mortalidade é necessário levar em conta a população de pacientes com a doença, um indicador que aumentou de forma significativa no período. "Não estamos dizendo que o número de mortes é pequeno. Mas é necessário reconhecer que houve uma queda, basta ver as taxas de mortalidade padronizadas." 

Mesquita afirmou ainda que o movimento social de São Paulo impõe uma resistência a medidas inovadoras, que poderiam ser importantes para o enfrentamento da doença. "Curioso que eles reivindicam mudanças mas se opõem, por exemplo, a programas de teste rápida entre populações de maior risco, prevista no programa Viva Melhor Sabendo", completou.

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