Manual lançado pela USP facilita conhecimento em atendimento na UTI

Publicação trata das principais ocorrências e descreve doenças, quadros clínicos e tratamentos

Agência USP

15 Outubro 2010 | 23h52

SÃO PAULO - Pesquisadores do Hospital Universitário (HU) da USP lançam o livro UTI Adulto - Manual Prático (Ed. Sarvier, 532 páginas, R$ 108). Produzido com a colaboração da equipe de UTI do HU e de especialistas de outras áreas, a publicação trata das principais ocorrências na UTI, dando uma breve descrição de doenças, quadros clínicos e tratamentos.

De acordo com os autores, Francisco Soriano e Antonio Carlos Nogueira, professores e médicos do HU, o livro foi concebido justamente para facilitar o trabalho de quem atende na unidade. É, portanto, um guia prático que pode sempre estar ao alcance do profissional.

A publicação separa as doenças por temas: cardiologia, endocrinologia, choque, neurologia, infecção hospitalar e transplantes, entre outros. “Casos bem variados são atendidos na UTI. Por exemplo, pacientes com doenças do coração, como infarto; doenças respiratórias, como pneumonia; rins, insuficiência renal; pessoas que passaram por grandes cirurgias, politraumas [que atingem mais de um órgão] ou que sofreram um acidente vascular cerebral (AVC)”, explica Nogueira.

“Essa é a maior dificuldade do médico, que precisa conhecer bem vários tipos de doenças. Hoje pode haver, ao mesmo tempo, um rapaz jovem que foi baleado em um leito, e ali no outro um senhor de 90 anos com pneumonia e problemas cardíacos”, exemplifica.

Casos tão complexos e variados demandam uma equipe diversificada. Além de médicos, atuam na UTI enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e nutricionistas - áreas contempladas no livro. Para Nogueira, a UTI pode ser definida como um espaço transdisciplinar: “Se o paciente melhora, sabemos que foi por causa do esforço do toda a equipe”.

Além da preocupação em oferecer um conteúdo completo, os autores pontuam a necessidade de um material atualizado. Segundo os pesquisadores, no setor que recebe os casos mais graves de todo o hospital, os profissionais devem conhecer de tudo um pouco - saber que foi sendo formalizado nos “tratados”, conjunto de dois ou três fascículos com cerca de 1.500 páginas cada.

“Os tratados, até serem traduzidos, já estão obsoletos. É claro que o conhecimento da fisiologia é mais estática, mas, quando se trata de terapia, vão surgindo novas tecnologias, novas abordagens, novos medicamentos”, afirma Soriano. Até mesmo o manual, que começou a ser elaborado dois anos antes de sua publicação, teve de sofrer alguns ajustes por causa das mudanças nas formas de tratamento.

Segundo os autores, o livro foi pensado principalmente para estudantes, a partir de uma demanda real. Visto que o HU recebe, para um programa de estágio de três semanas, alunos do quinto e do sexto anos da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e residentes, sempre houve a demanda de uma leitura de referência, e os professores indicavam, inevitavelmente, os “grandes clássicos”. “Mas nós sabemos que não há tempo hábil para a leitura”, diz.

A necessidade de criar um guia prático era evidente para toda a equipe da UTI e vinha sendo discutida há quase seis anos. Nos últimos dois anos, enfim, Soriano e Nogueira resolveram transformar seus anos de experiência em conteúdo para orientar estudantes e profissionais.

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