Marca-passo com bip chega ao Brasil

O primeiro marca-passo com sensor sonoro para insuficiência cardíaca acaba de chegar ao País. O dispositivo, que faz parte da última geração desses aparelhos, é capaz de beneficiar a vida de pelo menos 750 mil brasileiros. O número é equivalente à quantidade de pessoas que sofrem de insuficiência cardíaca grave e precisam de marca-passos para corrigir o problema. Cerca de 90% das insuficiências cardíacas têm como conseqüência o excesso da parte líquida do sangue nos pulmões. O sinal do aparelho, um bip, dura três segundos, é acionado quando a quantidade de sangue nos pulmões ultrapassou o limite normal. O coração funciona como uma bomba. Uma de suas principais funções é distribuir pelo corpo o sangue que passou pelos pulmões para ser oxigenado. Quando enfraquece, não bombeia o sangue como deveria. Ou seja, não consegue retirar todo o sangue dos pulmões. O sangue, portanto, vai ocupando o lugar do oxigênio no órgão. Por conta disso, o principal sintoma da insuficiência cardíaca é a falta de ar. "Ninguém morre de uma hora para outra de insuficiência cardíaca. Mas a pessoa tem uma péssima qualidade de vida, com falta de ar e internações freqüentes para controlar a quantidade de líquido", explica o cardiologista Marcus Bolívar Malachias, professor da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Pulsos Elétricos - O marca-passo com sinal sonoro manda pulsos elétricos que passam pelos pulmões. Isso é feito a cada 20 minutos, das 12 às 17 horas. Esses pulsos formam uma corrente elétrica. Quanto mais sangue houver nos pulmões, mais facilidade a corrente terá para passar por ele. Quando essa corrente ficar muito alta, o sinal é acionado (veja desenho acima). "O limite seguro de sangue nos pulmões é individual. Uma pessoa pode ter excesso com 200 ml e outra com 2 litros", explica José Carlos Pachón Mateos, cardiologista do Hospital do Coração e do Dante Pazzanese, em São Paulo, e presidente do Departamento de Estimulação Cardíaca Artificial, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular. A quantidade padrão é determinada pelo médico. No Brasil, nove centros implantaram um total de 15 aparelhos no último mês, de acordo com a Medtronic. A empresa é o único fabricante mundial do produto, com sede em Minneapolis, nos Estados Unidos - onde o aparelho foi aprovado no ano passado. Em São Paulo, já implantaram o aparelho o Hospital do Coração, Instituto do Coração, Dante Pazzanese, Beneficência Portuguesa e Hospital Pio XII, de São José dos Campos. Em Minas, Faculdade de Medicina de Uberlândia e Hospital Socor de Belo Horizonte. No Rio, Hospital Universitário Clementino Fraga Filho. O aposentado José Carlos de Azevedo Costa, de 82 anos, teve o aparelho colocado no Hospital do Coração pelo cardiologista Pachón, há três semanas. "Esse aparelhinho é meu escudo. O recurso do apito me dá uma segurança incrível. Se ele tocar, sei que posso ligar com calma para o médico." A tranqüilidade do paciente é garantida porque o sinal é acionado com duas semanas de segurança, tempo suficiente para controlar o problema com remédios, como diuréticos para diminuir a quantidade de líquido ou vasodilatadores para facilitar a passagem de sangue nas artérias. O horário da detonação do alarme também é programado pelo médico. Mas, caso não seja ouvido, o paciente conta ainda com outro recurso: um aparelhinho de cristal líquido colocado pelo próprio paciente sobre a roupa, na altura do marca-passo. A comunicação é por radiofreqüência. Se o líquido estiver acima do normal, uma gotinha aparece no visor. O marca-passo funciona com bateria de lítio. Tem 5 cm de diâmetro e 1 cm de espessura. Preço médio: R$ 80 mil, cobertos por planos de saúde tops. O aparelho pode ser implantado sob a pele ou sob o músculo, no peito ou na região do abdome. A operação dura cerca de 40 minutos. A anestesia é local. Cerca de 2,5 milhões de brasileiros têm insuficiência cardíaca, sendo que 30% deles precisam de marca-passo. Entre as principais causas, estão pressão alta e enfarte. Na hipertensão, o estreitamento das veias sobrecarrega o coração e, conseqüentemente, enfraquece o órgão. No enfarte, um número grande de células morre na hora do ataque, o que também enfraquece o coração.

Agencia Estado,

22 de fevereiro de 2006 | 09h25

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