Divulgação/Governo de São Paulo
Divulgação/Governo de São Paulo

Regiões de Marília e Registro passam a ter medidas mais restritivas de quarentena em SP

Comitê de Saúde vai emitir nota técnica para as cidades de Campinas e Sorocaba, que estariam com mais sobrecarga no sistema de saúde, mas regiões permanecem na fase laranja, com reabertura parcial da economia

Paloma Cotes e Marina Aragão, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2020 | 13h25

Com o avanço do novo coronavírus no interior, duas regiões paulistas foram reclassificadas e terão de voltar para a fase mais restritiva da quarentena, a vermelha, que só permite o funcionamento de serviços essenciais. São elas: Marília, que teve um aumento de 51% em internações, e Registro, que apresentou um aumento de 67%. Com a adoção da restrição, essas duas regiões se juntam a outras três do interior do Estado que já estão na fase vermelha: Barretos, Presidente Prudente e Ribeirão Preto. A medida começa a valer a partir de segunda-feira, 22. A quarentena é válida em todo o Estado até o dia 28 de junho. 

De acordo com o governo, as cidades de Campinas e Sorocaba registram um problema específico, somente nas cidades, e não na região como um todo. Com isso, elas continuam na fase laranja, que permite a reabertura de comércios de forma parcial, mas será emitida uma nota técnica somente para as duas cidades e, caso entendam que seja necessário, os prefeitos podem determinar medidas mais restritivas. "Essas duas cidades estão entrando em uma zona mais perigosa. O comitê está fazendo essa nota técnica sugerindo que esses prefeitos possam fechar esses municípios neste instante", afirmou Carlos Carvalho, chefe do Centro de Contigência Contra a Covid-19.

De acordo com o secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, a taxa de ocupação de leitos em Campinas é de 72% e de 75% em Sorocaba. Segundo Vinholi, 100 novos leitos serão destinados à região de Campinas. "Jaguariúna e Valinhos, ambas na região de Campinas, já adotaram medidas mais rígidas que as da fase laranja até que os indicadores locais de saúde voltem a melhorar. Os municípios têm autoridade e autonomia para, dentro de sua região, seguir a flexibilização ou fazer um endurecimento. Esta autonomia vem compartilhada da responsabilidade sobre os indicadores da própria cidade", afirmou Vinholi.

 

O Estadão mostrou que a situação já é de sobrecarga no sistema de saúde em Campinas e Sorocaba. Alguns hospitais que são referência no tratamento da doença estão lotados, são obrigados a recusar novas internações e prefeitos já cogitam transferir pacientes para a capital. 

Sobre transferência de pacientes, o secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann, afirmou que elas podem acontecer entre regiões, se houver necessidade. "Pode haver transferência de pacientes dentro de uma regional ou de regionais vizinhas. Tudo isso depende da avaliação local de um determinado paciente", explicou

"Sempre que necessário tomaremos medidas mais duras se assim for a referência do comitê de saúde e avançaremos se o comitê assim referendar. Nenhuma decisão é tomada por impulso político ou por pressão empresarial, econômica ou política. Hoje, infelizmente, temos regressão. Devido à intensificação da epidemia em áreas do interior, temos a reclassificação em duas regiões", afirmou o governador João Doria (PSDB).

Dados apresentados pelo governo do Estado nesta semana já mostravam que o interior responde por quase um terço dos casos confirmados e por quase 20% das mortes. 

Não houve mudanças de fases em outras regiões do Estado. Até este momento, o Estado tem apenas regiões nas fases vermelha e laranja.

O Plano São Paulo classificou as regiões administrativas do Estado com base em cinco critérios: a taxa de ocupação dos leitos em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), a quantidade de leitos de UTI por 100 mil habitantes, a variação do número de casos, a variação do número de internações e a variação do número de mortes. Quanto melhores nesses níveis, mais relaxado é o isolamento.

Testes

O governo também anunciou uma nova fase de plano de testagem no Estado. Essa nova etapa prevê a realização de pouco mais de 230 mil exames, que serão realizados prioritariamente em populações vulneráveis, elas indígenas e idosos em abrigos, além de categorias do funcionalismo público, como profissionais do sistema penitenciário. Serão aplicados testes rápidos e, para quem apresentar sintomas ou pessoas desses grupos que tiveram contato com pacientes confirmados para covid-19, será feito exame RT-PCR. 

Além disso, de acordo com a secretaria de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ellen da Silva, outros 250 mil testes serão distribuídos para todo o Estado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.