WILTON JUNIOR/ESTADÃO
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Marinha combate 'Aedes' no Rio; morador esvazia piscina

Segundo comando na zona oeste, em dois dias foram encontrados 200 possíveis focos de dengue em 1 mil residências vistoriadas

Constança Rezende, O Estado de S. Paulo

16 Fevereiro 2016 | 12h48

RIO - Nos dois primeiros dias de operação de combate ao Aedes aegypti, militares da Marinha encontraram pelo menos 200 focos de mosquitos na zona oeste do Rio. Na operação desta terça-feira, 16, na região, que envolveu 27 militares e oito agentes de vigilância em saúde, uma comissão encontrou uma piscina infestada de larvas de mosquitos, no bairro de Campo Grande. Em uma outra, o morador esvaziou a piscina mal cuidada de 10 mil litros minutos antes da chegada do grupo de vigilância.

Lourdes da Silva, de 72 anos, dona da casa onde foram encontradas dezenas de larvas de mosquito boiando na superfície da piscina, visíveis a olho nu, afirmou já ter tido zika e os netos, que moram no imóvel ao lado, dengue. Apesar disso, a piscina estava suja, com tufos pretos no fundo. Lourdes afirmou não tratar a água com cloro.

“Não sabia que tinham larvas de mosquito na piscina. Minha filha vai esvaziá-la ainda hoje”, disse ela, que se emocionou durante a operação, ao ver as larvas em sua piscina. “É um trabalho bonito que eles estão fazendo”, afirmou ela, chorando.

As amostras foram coletas pelo agente para serem analisadas se são do mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya. Segundo o técnico de vigilância em saúde Cícero José da Silva, as larvas virariam mosquitos em dois a três dias.

“As piscinas são ambientes ideias para a proliferação do Aedes. Eles gostam de água sem matéria orgânica e que está parada, como em piscinas não muito utilizadas e sem nenhum tipo de tratamento químico”, explicou o funcionário da Secretaria Municipal de Saúde.

Silva disse que não são distribuídos flocos de cloro para os moradores tratarem as piscinas nem lhe são informadas as doses que devem ser utilizadas. “Os moradores devem procurar lojas especializadas e consultar a dosagem certa. Eles devem aplicar a substância pelo menos uma vez por semana”, afirmou.

Segundo agentes que participam da operação, moradores da zona oeste são reincidentes em propiciar a proliferação de larvas de mosquitos, porque, apesar de alertados sobre os riscos, costumam não tratar a água das piscinas.

Coordenador da ação na zona oeste, o capitão-de-mar-e-guerra Luís Campos Mello, contou que a equipes, compostas por três marinheiros e um agente, já visitaram mil residências até a manhã desta terça.

“O resultado da operação tem sido bastante positivo. Estamos encontrando pouquíssimas resistências para entramos nas casas. A população tem aceitado bem as informações”, afirmou. Os militares distribuíram para os moradores folhetos com precauções para não deixar água parada.

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