Mastectomias entre jovens aumentam

Estudo dos EUA aponta que 62% das mulheres com câncer de mama e idade inferior a 40 anos preferem fazer a cirurgia

Sandhya Somashekhar, The Washington Post

03 de junho de 2013 | 16h41

A maioria de mulheres jovens com câncer de mama tem optado pela mastectomia em lugar do procedimento mais modesto, mas em muitos casos também eficaz, de poupar grande parte da mama, segundo uma pesquisa que foi apresentada nesta segunda-feira.

De acordo com o estudo, apresentado na reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica em Chicago, 62% das mulheres com câncer de mama e idade inferior a 40 anos preferiram fazer a mastectomia, não obstante o fato de pesquisas anteriores mostrarem que mulheres que se submeteram a tratamentos mais diretos, associados com radioterapia, têm taxas de sobrevivência similares.

O estudo deve intensificar as preocupações de que as mulheres cada vez mais vêm se submetendo a mastectomias desnecessárias do ponto de vista médico. O assunto despertou novamente a atenção depois de a atriz Angelina Jolie revelar ter se submetido a uma mastectomia dupla a título de prevenção contra o câncer.

Angelina Jolie, de 37 anos, tem genes que a predispõem a uma forma agressiva da doença. A revelação feita por ela foi bastante elogiada pelo fato de realçar as difíceis decisões com que mulheres em situação de risco da doença deparam. Mas também reacendeu os temores de que as mulheres podem optar por um tratamento mais radical quando métodos menos invasivos estão disponíveis e oferecem resultados similares.

O novo estudo, realizado em conjunto por pesquisadores do Dana-Farber Cancer Institute e a Harvard School of Public Health, envolveu 277 mulheres diagnosticadas com câncer nos estágios 1, 2 ou 3. E concentrou-se em mulheres que podiam decidir entre uma mastectomia ou uma lumpectomia, que é a remoção apenas do tecido cancerígeno e parte do tecido saudável em torno. E excluiu mulheres em situação na qual a remoção das mamas era necessária.

O estudo não examinou em detalhes as razões das escolhas feitas pelas mulheres. Shoshana Rosenberg, que chefiou a pesquisa, afirmou que as conclusões obtidas ressaltam a necessidade de se estudar se o temor muito grande de uma recorrência ou morte tem influência no caso, e se as mulheres estão sendo informadas adequadamente.

“Não estamos dizendo que esta é uma boa ou má decisão”, disse Rosenberg. “O que desejamos é que as mulheres adotem decisões informadas e que elas próprias avaliem os riscos e benefícios. Para algumas mulheres, a mastectomia pode ser a decisão certa”.

De acordo com a Susan G. Komen Foundation, que financia pesquisas sobre câncer de mama e financiou uma parte do estudo, os procedimentos têm iguais taxas de sobrevivência e incidência do câncer se propagar para outros órgãos. Contudo, entre as mulheres que fizeram uma lumpectomia foram registradas taxas ligeiramente mais altas de o câncer retornar.

Os principais benefícios de uma mastectomia são que a radioterapia pode não ser necessária e o procedimento pode dar mais tranquilidade, segundo a Fundação. As lumpectomias sempre são associadas à radioterapia, mas a vantagem é que uma boa parte do tecido e forma original da mama são preservadas e o procedimento é menos invasivo. A mastectomia exige que a paciente permaneça uma noite no hospital e a recuperação é longa.

Tradução de Terezinha Martino

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.