Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Matemáticos da Unicamp calculam quantas vidas por dia são salvas pelo isolamento social

Estimativa é que número de pessoas que deixarão de morrer por dia no Brasil, vítimas da covid-19, saltará de 83 para 865, dentro de duas semanas, se taxa de isolamento atual for mantida

Ricardo Brandt, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2020 | 20h56

Pesquisadores do Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica da Unicamp desenvolveram uma plataforma que calcula a quantidade de vidas salvas com as medidas de isolamento social durante a pandemia da covid-19. Pelos cálculos, a estimativa é que se o isolamento social registrado na última semana for mantido no Brasil, o número de pessoas que deixam de morrer por dia, vítimas da doença, saltará de 83 para 360, dentro de uma semana, chegando a atingir a taxa de 865 vidas salvas diariamente, em duas semanas - que será dia 20 de maio.

O Brasil registrou 610 mortes decorrentes do novo coronavírus nas últimas 24 horas, segundo atualização de dados do Ministério da Saúde, desta quinta-feira, 7. Com isso, o total oficial de vítimas da doença no País subiu de 8.536 para  9.146. O número oficial de casos confirmados da covid-19 passou de 125.218 para 135.106. São Paulo tem o maior número de casos, com 39.928 confirmados e 3.206 mortes. 

Com simulações matemáticas, que cruzam dados oficiais de contágio, taxa de isolamento e letalidade, os pesquisadores montaram os cenários e as curvas de evolução de contágio e mortes. Eles apontam que se for mantido o isolamento social da última semana no País pelas próximas duas semanas serão poupadas 1 vida a cada 3,7 minutos no País. O tempo em minutos necessário para salvar uma vida varia conforme a região: enquanto no Sudeste o tempo será de 4,4 minutos e no Nordeste de 4,4 minutos, nas regiões Centro Oeste serão necessários 320 minutos, no Sul 58,7 minutos e no Norte 131,8 minutos.

Os dados estão na plataforma “Vidas salvas pelo isolamento social”, organizada pelos pesquisadores Paulo José da Silva e Cláudia Sagastizába, e podem ser acessados na página http://www.ime.unicamp.br/~pjssilva/vidas_salvas.html, que é atualizada diariamente com números oficias de casos e óbitos. O estudo pretende mostrar a “estimativa do número de vidas salvas no País pelo isolamento social”.

“O distanciamento social parece ter sido efetivo quando consideramos o Brasil inteiro, mas vem perdendo força”, observam os pesquisadores. “Essa é a tendência no Sudeste, que concentra a maior parte dos casos, e também no Centro-Oeste.”

Para eles, as regiões Norte e Nordeste, onde o colapso do sistema de atendimento hospitalar para os casos da covid-19 já é realidade, houve “distanciamento mais efetivo” recente.  “Vemos que as curvas de uma forma geral foram achatadas. Mas os números de doentes ainda cresce muito, mesmo que mais lentamente. Isso sugere que é imperativo que os governos busquem alternativas de controle da epidemia para não enfrentarmos colapsos nos sistemas de saúde em breve.”

O presidente, Jair Bolsonaro, ministros e empresários querem flexibilizar as regras de isolamento para minimizar os impactos da pandemia e da quarentena na economia. Ele já anunciou que vai, por decreto, ampliar a lista de atividades essenciais, forma de ampliar os setores da economia que podem funcionar. Em São Paulo, o governador João Dória, deve anunciar o plano para retomada gradativa das atividades, mas condiciona os critérios ao aumento das taxas de isolamento, que está em 47%, quando o desejado é de 70%.

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