Matéria escura e estudo do Bóson de Higgs são próximos desafios do Cern

Neste ano, o Grande Colisor de Hádrons dobrará potência para estudo do Bóson de Higgs

Efe

18 Janeiro 2014 | 12h20

MADRI - O diretor de Pesquisa e Computação Científica do Laboratório Europeu de Física de Partículas (Cern), Sergio Bertolucci, disse nesta sexta-feira que os próximos desafios do órgão são a descoberta da matéria escura e o estudo detalhado do Bóson de Higgs, seu último grande achado.

Por ocasião do 60º aniversário do laboratório, Bertolucci destacou em uma conferência alguns dos desafios do maior laboratório de física de partículas do mundo, cujos cientistas François Englert e Peter Higgs receberam o Prêmio Nobel de Física em 2013.

O físico explicou que em 2014 o Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês) dobrará sua potência para continuar estudando as propriedades do Bóson de Higgs, sobre o qual ainda existe muita incerteza. "Hoje já sabemos que há um 'Higgs', mas queremos saber se há mais bósons", especificou.

A descoberta da matéria escura é outro dos desafios do Cern, segundo Bertolucci, que destacou que a constatação da super-simetria - uma teoria da física de partículas que vai além do atual Modelo padrão e que poderia explicar a presença de matéria escura no Universo - "seria uma descoberta mais importante ainda que o achado de Higgs".

Entre os projetos mais imediatos, Bertolucci assinalou que o Cern colaborou com o Hospital Universitário de Marselha em um novo aparelho de detecção adiantada do câncer de mama que poderá estar disponível para seu uso generalizado no próximo ano.

Este aparelho de mamografias, que combina a ultrassonografia com ultrassons de alta velocidade e o scanner PET (tomografia por emissão de posítrons), permite detectar calcificações de um milímetro e reconhecer a doença dois anos antes do que se diagnostica hoje.

Bertolucci lembrou que a pesquisa em física de partículas deu lugar a vários descobrimentos com aplicação prática na vida cotidiana. É que, além da internet, no centro de Genebra se desenvolveram o scanner PET, as primeiras telas táteis e os últimos tratamentos contra o câncer através da emissão de prótons.

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