Material para exames de sangue continua retido em SP

A trégua de dez dias anunciada anteontem pelos fiscais da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) de São Paulo ainda não normalizou a situação de hospitais e hemocentros do Estado. Ontem, os reagentes que atestam a qualidade de sangue para transfusões e outros medicamentos continuavam retidos nos aeroportos de Guarulhos e Congonhas. No Porto de Santos, os fiscais sequer tinham conhecimento da determinação judicial sobre o fim da paralisação. O Sindicato Nacional das Agências Reguladoras (Sinagências) garantiu que a fiscalização será retomada hoje. As empresas fornecedoras de exames diagnósticos associadas à Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL) não conseguiram retirar qualquer produto nos aeroportos paulistas ou em Santos ontem. "Não pudemos dar entrada a nenhum processo de liberação", informou o secretário-executivo da associação, Carlos Gouvêa. "O grande problema é o acúmulo de medicamentos e as condições de armazenamento." Gouvêa ressalta que a maioria dos reagentes utilizados em exames que atestam a qualidade do sangue estocado nos hemocentros deve ser refrigerada em temperaturas entre 2°C e 8°. "Alguns, a até -20°C", informou. Para ele, ao fim da greve, as empresas fornecedoras terão de fazer controle adicional de qualidade dos medicamentos. "Isso atrasará em 10 a 15 dias o envio dos produtos a hospitais e hemocentros", explicou. O presidente do Sinagências, João Maria Medeiros, disse ontem que "mesmo aprovada em São Paulo, a trégua acontecerá, de fato, depois do posicionamento dos outros estados". "É uma greve nacional. A partir de amanhã, as atividades voltam ao normal." Até o fim da tarde de ontem, apenas quatro estados haviam decidido contra a trégua. Em Santos, os fiscais - filiados à Federação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores em Saúde e Previdência Social (Fenasps), que é contrária à trégua - iniciaram anteontem uma espécie de mutirão para liberar produtos relacionados à saúde. "Optamos por fortalecer a greve", afirmou a fiscal Sueli Dias Pereira.

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