Maternidade de Campinas investiga transmissão de tuberculose para bebês

Nascidos entre 23 de fevereiro e 14 de abril deste ano que estiveram na UTI neonatal do Hospital Celso Pierro passarão por triagem; no ano passado surto atingiu outra maternidade da cidade

Ricardo Brandt, O Estado de S. Paulo

27 Novembro 2013 | 15h59

CAMPINAS - A Secretaria de Saúde de Campinas investiga a contaminação de recém-nascidos que passaram pela Unidade de Terapia Intensiva neonatal da maternidade do Hospital Celso Pierro, da Pontifícia Universidade Católica (PUC), entre 23 de fevereiro e 14 de abril de 2013. São 62 bebês que passarão por triagem para identificação do bacilo de Koch.

Não é a primeira vez a Saúde apura um surto de tuberculose em maternidade de Campinas. No ano passado, no hospital Madre Theodora, uma enfermeira com a doença transmitiu a bactéria para mais de 110 crianças. Foi o segundo caso descrito na literatura médica de transmissão inter-hospitalar de tuberculose em recém-nascidos no mundo- o primeiro foi na Itália, em 2004.

A investigação no Celso Pierro começou a ser feita pelo hospital no dia 23, após a mãe de um bebê que ficou na UTI, no período investigado, apresentar os sintomas da doença. A coordenadora do ambulatório de tuberculose infantil do hospital, a médica Maria de Fátima Marciano, explicou que a mãe foi na unidade duas vezes ao dia, entre fevereiro e abril, para amamentar o filho prematuro que estava internado.

"Todos os protocolos de segurança em casos de possíveis infecções foram seguidos pelo Hospital Celso Pierro", afirmou a médica. Os funcionários também passaram pela triagem. O filho da mãe que ficou doente também tem a bactéria, mas não apresentou os sintomas.

A tuberculose é uma doença infecciosa que tem cura. Em recém-nascidos, tanto o diagnóstico como o tratamento são mais difíceis. Transmitida pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, o Bacilo de Koch, ela é uma doença conhecida por afetar principalmente os pulmões, mas também pode atingir outros órgãos do corpo, como ossos, rins e meninges (membranas que envolvem o cérebro).

Uma das características mais comuns para identificação da tuberculose em adultos é tosse com duração superior a três semanas. Em bebês, não há tosse. Sintomas como febre vespertina, sudorese noturna e emagrecimento, comuns nos adultos, também não aparecem nas crianças.

Geralmente elas apresentam problemas pulmonares, que são tratados e retornam, e têm dificuldades de ganho de peso. A bactéria é transmitida pelo ar, por gotículas de saliva, e bebês não são transmissores.

Triagem. Os pais dos 62 bebês começaram a ser contatados pelo hospital, que seguirá um procedimento padrão para a investigação, com consultas, exames e diagnósticos clínicos. A triagem inclui, entre outras coisas, análise de curva de crescimento, desenvolvimento dos bebês, raio X de tórax e testes com reagentes.

Quem teve contato com mulher infectada pode apresentar a doença, pode ter o bacilo no organismo sem a doença manifesta (chamado de infecção latente), ou não ter sido contaminado. O tratamento é feito a base de antibióticos.

O procedimento a ser seguido será o mesmo adotado no caso do Madre Theodora. No ano passado, a Secretaria de Saúde investigou um surto de tuberculose entre bebês nascidos entre janeiro e junho daquele ano.

Uma funcionária contaminada passou a bactéria para pelo menos 110 crianças. Foram feitos mais de 1 mil análises em recém-nascidos.

Na época, o caso só foi descoberto depois que três bebês atendidos na rede pública de saúde com tuberculose tinham em comum o fato de terem nascido no Madre Theodora no mesmo período.

O Celso Pierro disponibilizou os telefones (19) 3343-8497 e (19) 3343-8317 para que pais tirem dúvidas. A Secretaria de Saúde vai se pronunciar sobre o caso apenas nessa quinta-feira, 28.

Mais conteúdo sobre:
Tuberculose campinas

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.