Maternidade é interditada e MP apura mortes de cinco bebês

Instituição em José Bonifácio, interior paulista, não tem pediatras e obstetras 24 horas

Chico Siqueira,

15 de fevereiro de 2012 | 18h19

A Secretaria de Saúde interditou nesta quarta-feira, 15, por tempo indeterminado, os serviços da maternidade da Santa Casa de José Bonifácio, no interior de São Paulo. A interdição, por falta de médicos pediatras e obstetras, ocorre ao mesmo tempo em que cinco bebês morreram neste ano, possivelmente por falhas de atendimento dos serviços de saúde do município e do hospital. O Ministério Público apura as mortes.

A maternidade é a única que atende parturientes da cidade e de mais cinco municípios vizinhos - Adolfo, Mendonça, Zacharias e Planalto. São realizados serviços de obstetrícia e 35 partos/mês pelo Serviço Único de Saúde (SUS), que agora serão transferidos para o Hospital de Base (HB), de São José do Rio Preto, referência para a região. O diretor regional de Saúde, José Victor Maniglia, disse que a suspensão ocorreu porque a maternidade não tem pediatras e obstetras 24 horas por dia. O hospital, que possuía médicos dessas especialidades apenas em plantões à distância, deveria apresentar até esta quarta-feira uma escala de plantão prevendo atendimento 24 horas por dia. Como não apresentou, teve os serviços suspensos por tempo indeterminado. O hospital também deverá reformar o centro cirúrgico.

A promotora de Justiça de José Bonifácio, Vanessa Ibarrecha Santa Terra, abriu inquérito civil nesta quarta-feira para apurar as mortes e deverá convocar representantes dos serviços de saúde do município e do Estado para prestar esclarecimentos. "Estamos investigando as causas e responsabilidades por essas mortes", disse o secretário de Saúde Bonifácio, Ercílio do Prado. Segundo ele, uma das mortes teria ocorrido na maternidade da Santa Casa e as primeiras investigações indicam que houve ainda complicações com duas gestantes que esperavam gêmeos. Das quatro crianças, apenas uma nasceu, as outras três morreram.

Segundo o Comitê de Mortalidade Materno-Infantil do município, a maioria das mortes, poderia ter sido evitada. A última delas foi do bebê Pedro Henrique, filho do casal Tânia Mara Barbosa, de 20 anos, e Maicon Rodrigo dos Santos, de 21. Segundo Maria Aparecida Lima, avó de Tânia, sua neta perdeu o filho por falha no atendimento de uma médica. "Ela não pediu a ultrassonografia e ainda errou na data do parto. Quando minha retornou par ao parto, o bebê estava morto dentro dela", afirmou.

O administrador da Santa Casa, Newton César Mathias, disse que "o hospital vai contratar médicos", disse. "A reforma do centro cirúrgico já está contratada". Segundo ele, o hospital vai gastar R$ 100 mil com a reforma e outros R$ 65 mil mensais com os médicos. O administrador também negou o envolvimento do hospital com as mortes. Disse que apenas em um caso a morte ocorreu na maternidade, mas nas restantes nem mesmo o pré-natal foi feito por médicos da Santa Casa.

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