Tiago Queiroz/ Estadão
Tiago Queiroz/ Estadão

Média de óbitos por covid em SP cresce 49% em uma semana e chega a maior valor desde agosto

Número de internações e de casos também cresceu, segundo governo de São Paulo

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2021 | 16h21
Atualizado 11 de janeiro de 2021 | 18h16

SÃO PAULO - A média diária de mortes por covid registradas na primeira semana epidemiológica do ano (03/01 a 09/01) no Estado de São Paulo foi 49% maior do que a da última semana epidemiológica de 2020 (27/12 a 02/01), segundo dados apresentados nesta segunda-feira, 11, pelo governo paulista. O índice é o maior registrado desde o final de agosto. Na primeira semana de janeiro, foram 213 óbitos diários em média, contra 143 registrados na última semana de dezembro.

Os números de casos e de internações também tiveram aumento expressivo. Foram, em média, 10.366 novos registros das doenças todos os dias da primeira semana epidemiológica do ano contra 6.373 na semana anterior, alta de 63%. Os números podem conter represamentos do fim de ano, quando menos servidores estão trabalhando na notificação de casos, mas acompanham cenário de aceleração da pandemia registrado desde novembro.

Quanto às internações, foram 1.565 pessoas hospitalizadas diariamente, em média, entre 3 e 9 de janeiro, contra 1.364 no período anterior, aumento de 15%. O governo diz ter aberto, somente neste ano, 250 novos leitos de UTI.

Atualmente, o Estado tem 12.530 pessoas internadas com confirmação ou suspeita de covid, dos quais 5.364 estão na UTI. A taxa de ocupação dos leitos de terapia intensiva está em 65,1% no Estado e 66,7% na Grande São Paulo. Desde o início da pandemia, São Paulo já registrou 1.549.142 casos da doença e 48.379 mortes decorrentes de complicações da infecção.

Mesmo com a elevação dos números da covid-19, o governo decidiu, na sexta-feira, 8, mudar regramentos do Plano São Paulode reabertura econômica e flexibilização da quarentena, para permitir que mais atividades funcionem na fase laranja, a segunda mais restritiva, como academias de ginástica, salões de beleza, parques, museus, galerias e outros estabelecimentos, com 40% de ocupação e por 8 horas diárias. Por outro lado, há mais restrições para o atendimento presencial após as 20 horas e o veto à abertura de bares nessa fase.

Na coletiva de imprensa, também foi divulgada uma reclassificação de fases do Plano São Paulo, em que as regiões de MaríliaSorocaba e Registro regrediram para a fase laranja, juntando-se a Presidente Prudente, que antes estava na fase vermelha.

O restante do Estado, incluindo toda a Grande São Paulo, segue na fase amarela. A mudança passou a valer nesta segunda e vai até 5 de fevereiro. "A qualquer momento, nós podemos reclassificar. Continuaremos analisando os dados das regiões e, se for necessário, sim, serão reclassificados (antes do prazo definido)", destacou o coordenador executivo do Centro de Contingência, João Gabbardo.

Nesta segunda, Gabbardo ressaltou a necessidade de a população evitar aglomerações e saídas desnecessárias. "Os dados apresentados são impactantes, nos alertam para uma situação que fica cada vez mais grave. Mesmo na fase amarela, a partir das 22h, não deve funcionar nenhuma atividade não essencial. A partir das 22h, as pessoas devem ficar em casa. Nas regiões em fase laranja, fomos mais rigorosos: qualquer atividade funciona só até as 20 horas", afirmou.

O médico infectologista Carlos Magno Fortaleza, do Departamento de Doenças Tropicais da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu, acredita que o aumento dos óbitos é o começo do reflexo das aglomerações de fim de ano. "Essa conta não chegou totalmente. Uma pessoa leva de 5 a 14 dias pra ficar doente, pra ficar grave mais uma semana e para morrer um pouco mais tempo. Por isso alguma parte tem a ver com o aumento do começo de dezembro. O resultado de natal nós vamos ver mais pra frente". Ele também acredita que os dados e o indício de circulação da nova variante do vírus podem abrir a possibilidade de maiores medidas restitivas do Plano São Paulo. /COLABOROU RENATO VIEIRA

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