Divulgação / Governo do Estado de SP
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Média diária de mortes por covid no Estado de SP fica abaixo de 100 e é a menor desde abril

Número ainda é parcial e média de casos teve elevação nos últimos dias

Priscila Mengue e João Prata, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2020 | 15h00

SÃO PAULO - O Estado de São Paulo chegou pelo segundo dia seguido à marca de 91 óbitos por covid-19 na média diária móvel, a menor registrada desde abril. A média de infecções confirmadas, por sua vez, tem aumentado. Especialistas ouvidos pelo Estadão apontam a redução do contágio e a maior experiência dos médicos ao tratar a doença como motivos para a redução de óbitos, mas dizem que cuidados precisam ser redobrados em um cenário de flexibilização do isolamento social. 

Os dados são parciais, pois a semana epidemiológica se estende até sábado. Ainda há, contudo, preocupação com um aumento na média móvel de infecções confirmadas, que foi de 4.029, há sete dias, para 4.332. Segundo o governo João Doria (PSDB), as médias móveis de mortes estão em queda desde a semana do dia 16 de setembro, quando estava em 205 óbitos.

A média móvel é calculada com base nos números da semana, divididos pelo quantidade de dias. Essa forma de cálculo evita possíveis distorções causadas por baixas nos registros aos finais de semana, por exemplo, quando os números tendem a ser menores. 

"Importante lembrarmos que ainda não terminamos essa semana epidemiológica, começamos domingo e estamos ainda na quarta-feira. Tivemos um discreto aumento no número de casos e internações, o que não nos permite dizer que isso se projete por toda a semana, podem ser números que possam ter ficado represados, retidos. Vamos analisar a semana toda. Mas, seguramente, isso sempre acende um alerta: temos de estar atentos”, disse o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn.

Para ele, um possível aumento de casos não seria uma 2ª onda, mas um incremento no número de casos, especialmente nas classes A e B, que puderam trabalhar de casa na pandemia e estão saindo mais com a flexibilização. "Se formos olhar hoje nos hospitais públicos, as internações diminuem. Quando olhamos nos hospitais privados, existe uma tendência natural de aumento de casos. Mas reforço: isso não significa uma 2ª onda. Significa que temos uma redução, talvez na velocidade com que vínhamos diminuindo o número, ou a possibilidade de criarmos outro platô eventualmente, com número muito abaixo do que o visto nos meses anteriores.”

Ao todo, São Paulo registra 1.103.582 casos e 39.007 mortes decorrentes do novo coronavírus. A taxa de ocupação de UTIs é de 39,2%, com 3.147 pacientes internados em UTI e outros 4.123 em enfermarias, entre casos confirmados e suspeitos. 

O secretário destacou que o Estado ainda está em quarentena, mesmo com a flexibilização de medidas e reabertura econômica. “Temos de manter todas as normas e regras sanitárias. Não estamos no nosso normal”, afirmou. “Os finais de semana prolongados são aqueles que mais preocupam as autoridades.”

Também nesta quarta-feira, o governo estadual anunciou a Operação Finados, que envolve medidas de segurança e prevenção contra a covid-19 nas rotas turísticas estaduais durante o feriado prolongado. A força-tarefa contará com 21,5 mil policiais, 8 mil viaturas, 10 helicópteros, 200 ambulâncias e 12 drones, entre outros reforços

Epecialistas veem cenário melhor, mas dizem ser cedo para decretar fim da pandemia

O infectologista Natanael Adiwardana trabalha em dois hospitais particulares na capital paulista e enumera evoluções para queda de óbitos. "Aprendemos a manejar melhor os casos mais graves com o uso de ventiladores mecânico e o uso de corticoides, um dos grandes achados nas pesquisas de covid", disse. "Mas diante da progressão do Plano São Paulo (programa estadual de flexibilização da quarentena), a gente fica relutante em afirmar que vai se manter (a queda). A gente tem de observar agora que a flexibilização acelerou o que vai acontecer", acrescenta.

Desde o dia 10, seis regiões do Estado de SP avançaram para a fase verde do Plano São Paulo. Na capital paulista, por exemplo, o prefeito Bruno Covas (PSDB), permitiu a reabertura de cinemas e atividades culturais. Bares, restaurantes e comércio tiveram horário de funcionamento ampliado. As outras regiões estão na fase amarela, que também permite atividades comerciais, mas ainda com restrições.

"Há mais contato. O transporte público está mais cheio, lotado nos horários de pico. Temos de intensificar medidas de higiene. Se for inevitável pegar o metrô cheio, que faça higiene das mãos e use máscara. Se puder sair mais cedo e evitar o pico, melhor. Se tem a possibilidade de flexibilizar o horário de trabalho, é outra opção", recomenda Adiwardana.

O médico André Ribas Freitas, professor de Epidemiologia na Faculdade São Leopoldo Mandic, em Campinas, acredita que o Estado deveria dar mais ênfase a uma importante medida de prevenção: o isolamento de quem teve contato com um infectado. "Como isso não acontece, é de se esperar que com o relaxamento das medidas de controle, volte a aumentar os números da doença." 

Especialista em modelagem de propagação de epidemias, o físico da Universidade Federal de Viçosa (UFV) Silvio Ferreira diz que ainda não é possível dizer o que está acontecendo no Brasil e, especificamente, em São Paulo. "O que a gente está vendo contraria as expectativas que temos de modelagens. Os números estão reduzindo, enquanto, praticamente, tudo está voltando a funcionar, com exceção das escolas. Aumentamos o número de contatos e a epidemia continua dando sinais de que está enfraquecendo. Isso não é de agora. Contraria as expectativas para quem faz modelos." 

Segundo ele, não é possível determinar se o número de óbitos no Brasil pode vir a dar um salto no próximo mês e vir uma 2º onda, como na Europa - França e Alemanha decretaram lockdown esta semana por causa do aumento de casos e mortes.

"A Europa começou a descontrolar no final de agosto e agora está em níveis que vai fechar tudo. O Brasil nunca esteve sob controle. Está menos agressiva, apenas. O esperado é que estivesse descontrolado. Porque aqui tem só o uso de máscara e está tudo aberto. O Brasil ainda está na primeira onda e parece que vai ficar assim até a vacina. Na Europa, é claro que está na segunda onda", diz o físico. 


 

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