Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Média móvel de mortes tem alta em SP, mas Estado não vê como tendência

Problema de represamento de dados no e-SUS Notifica dificulta análise; número de internações continua em queda

Ítalo Lo Re, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2021 | 05h00

O Estado de São Paulo passa por uma alta na média móvel de mortes por covid-19: o indicador saltou de 97 para 143 em um intervalo de duas semanas. Em um primeiro momento, o cenário pode ser atribuído ao feriado de 7 de setembro e a problemas de represamento de dados, que ocasionaram uma baixa fictícia no início do mês. Ainda assim, o aumento principalmente da última semana, quando os dados teriam sido menos afetados por fatores externos, acende um alerta. O governo paulista, porém, afirma que a alta ainda não se revela como uma tendência, até pela queda nas novas internações.

Dados oficiais indicam que a média móvel de mortes nesta terça-feira, 28, foi de 155, número ainda maior do que o parâmetro da semana passada. No entanto, para ter uma noção mais ampla se o indicador teve crescimento pela terceira semana consecutiva, a gestão estadual espera o fechamento do ciclo no sábado e faz uma média do índice durante toda a semana.

Coordenador executivo do Comitê Científico que assessora o governo paulista, João Gabbardo defendeu em entrevista ao Estadão que, neste momento, os dados ainda estão “muito ruins para fazer análise de casos e de óbitos”, já que, relembra, houve problemas recentes com o sistema e-SUS Notifica do Ministério da Saúde. “Esses óbitos que têm aumentado aparentam ser um dado circunstancial, não é algo que em um primeiro momento a gente considera uma tendência”, reforçou.

Gabbardo apontou que, para leitura do cenário pandêmico, o governo estadual tem se baseado principalmente na média móvel de novas internações por dia, que é totalmente controlada pela gestão estadual e vem caindo. Nesta terça, dados oficiais apontam que o índice estava em 582, ante 579 há uma semana e 621 na comparação com 14 dias atrás.

“A nossa posição é de tranquilidade, mesmo sabendo que mais de 90% dos casos em São Paulo são de pacientes que apresentam a variante Delta. Mesmo com esse porcentual, não houve aumento de internações”, disse, reforçando o papel da vacinação nesse cenário. Diante da cepa de preocupação, duas doses são ainda mais importantes, principalmente em um cenário de superespalhamento do vírus.

A média móvel de diagnósticos positivos nesta terça era de 1.470 em São Paulo. Há uma semana, quando houve maior impacto da atualização de dados represados, o índice subiu para 7.330. Há duas, estava em 911. “Não é a primeira vez que (o represamento) acontece, mas eu acredito que, estando sob controle e regularizado, nas próximas semanas os dados vão ser mais reais”, acrescentou Gabbardo.

Segundo ele, a ligeira alta na média móvel de mortes é um indicador que agora estaria destoando dos demais e que, por conta disso, não aumenta a preocupação neste momento. Até porque o governo estadual ainda atribui algum efeito do represamento de dados também nesse índice, mesmo que o indicador de novos casos tenha sido afetado em maior grau.

“Não tem sentido aumentar o número de óbitos quando o número de internações está caindo”, defendeu o coordenador do Comitê Científico. Ele reiterou ainda que, se o cenário tiver de sugerir algum alerta neste momento, é para o avanço rápido da vacinação. “A prioridade é as pessoas que estiverem aguardando a segunda dose poderem receber a segunda aplicação da vacina.”

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