EFE / Antonio Lacerda
EFE / Antonio Lacerda

Média móvel de óbitos cai pela 4ª semana e fica em 859; cenário ainda preocupa

Dados do consórcio de imprensa apontam tendência de redução; Imperial College também indica queda em contágio

Daniel Bramatti e Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2020 | 05h00

SÃO PAULO - A média móvel de mortes por covid-19 no Brasil completou quatro semanas em queda nesta terça-feira, 1º, segundo dados do consórcio dos veículos de imprensa, formado por Estadão, G1, O Globo, Extra, Folha e UOL. Dados do prestigiado Imperial College também indicam queda.

Nos últimos sete dias, o Brasil registrou uma média de 859 óbitos por dia pela doença. Nas três semanas anteriores (contadas sempre de quarta a terça-feira), o número médio diário de vítimas havia sido de 950, 989 e 1 mil, respectivamente, o que, segundo especialistas, parece indicar um cenário de queda sustentada, embora lenta. A queda começou a ser registrada após sete semanas seguidas com a média diária acima de mil óbitos. Nesta terça, foi a primeira vez desde 19 de maio que uma semana foi encerrada com média móvel inferior aos 900.

O cenário, porém, ainda é preocupante e exige cuidados, dizem especialistas. Eles ressaltam que o número de novas infecções ainda é alto e a queda observada nas últimas semanas é pequena, o que não exclui o risco de um novo aumento. “Tanto os números quanto o cenário em alguns hospitais, com menos doentes, indicam que estamos saindo do platô e iniciando a descida, mas, infelizmente, isso está longe de significar que o coronavírus não está mais entre nós”, destaca a infectologista Raquel Stucchi, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). “As aglomerações que a gente tem visto, principalmente nos fins de semana, podem levar a novos aumentos. Mesmo na Europa, onde eles reduziram bastante os números, está havendo alta de casos”, completa.

O intensivista Ederlon Rezende, integrante do conselho consultivo da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e coordenador do projeto UTIs brasileiras, ressalta que, embora a queda seja visível na ocupação de leitos em algumas partes do País, os números absolutos ainda são altos e há diferenças entre as regiões do País. “Falando de Brasil, é incontestável que estamos vendo uma redução, mas o número de casos e mortes ainda é muito alto para que a gente baixe a guarda. Há lugares que são mais preocupantes, como o interior de alguns Estados, onde a pandemia chegou depois”, diz ele.

Os dados do consórcio mostram que a situação epidemiológica varia conforme a região. Enquanto o Nordeste tem queda no número médio de mortes há nove semanas seguidas, o Centro-Oeste registrou alta em seis das sete semanas anteriores. O Sul tem queda há um mês e Sudeste e Norte apresentam cenário de estabilidade.

Taxa de contágio

Também nesta terça, o Brasil voltou a registrar redução da taxa de contágio da covid estimada semanalmente pela prestigiada universidade Imperial College de Londres. O índice, também chamado de Rt, ficou em 0,94 nesta semana. A taxa de contágio indica para quantas pessoas um paciente infectado consegue transmitir o novo coronavírus. Quando o indicador está abaixo de 1, há indícios de desaceleração do surto e, acima disso, ele tem tendência de alta.

É a segunda vez desde abril que o índice fica abaixo de 1. A primeira ocorreu há duas semanas, quando ela ficou em 0,98. Na semana passada, ela subiu para 1. Apesar das duas quedas no período de três semanas, os dados não permitem concluir que a pandemia esteja em aceleração ou desaceleração, pois as variações são pequenas e estão dentro de uma margem de erro. No relatório desta semana, por exemplo, essa margem está entre 0,90 e 1,01. 

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