National Institutes of Health/AFP
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Medicamento contra câncer pode expulsar vírus do HIV de pessoas infectadas, aponta estudo

Remédio teve sucesso inicial em pacientes que têm as duas doenças; mais estudos ainda serão necessários para entender os efeitos

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2022 | 08h27

Um medicamento indicado contra o câncer teve sucesso contra o vírus do HIV em pessoas que têm as duas doenças. Pesquisadores apontam que a imunoterapia com este remédio pode ajudar a deslocar o vírus das células imunes humanas, oferecendo uma intrigante área de estudo para o tratamento da infecção crônica pelo vírus causador da Aids. Ainda serão necessários mais estudos para entender os efeitos do medicamento no combate ao vírus.

Conhecido como pembrolizumab, o imunoterápico Keytruda é um anticorpo monoclonal (proteína de defesa fabricada em laboratório a partir de células vivas) projetado para ajudar o próprio sistema imunológico do corpo a combater o câncer, bloqueando uma proteína conhecida como receptor de morte programada (PD-1) usado por tumores para evitar células que combatem doenças.

Publicado no dia 26 de janeiro na revista na Science Translational Medicine, o estudo envolveu 32 pessoas com câncer e HIV por meio do Fred Hutchinson Cancer Research Center, em Seattle, Estados Unidos. Os participantes também estavam sendo tratados com medicamentos antivirais eficazes para o HIV. As evidências apontaram que o pembrolizumab pode reverter a capacidade do vírus de "se esconder" nas células de pessoas vivendo com HIV em terapia antirretroviral (medicamentos utilizados para o tratamento de infecções por retrovírus, especialmente o HIV).

"Pembrolizumab foi capaz de perturbar o reservatório de HIV", disse a professora Sharon Lewin, diretora do Instituto Peter Doherty para Infecção e Imunidade em Melbourne, Austrália, em um comunicado. Seu grupo analisou amostras de sangue coletadas dos participantes do estudo antes e após o tratamento com o medicamento.

A cientista informou que o trabalho continuará nas amostras para entender como o pembrolizumab modifica a resposta imune ao HIV. Ela disse que os pesquisadores esperam que isso "acelere o sistema imunológico para matar as células infectadas pelo HIV da mesma forma que faz com o câncer". / REUTERS

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