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Medicamento diminui em mais da metade o risco de fraturas na osteoporose grave

Estudo aponta eficiência da teriparatida, composto que estimula a célula responsável pela formação de ossos, em mulheres acima dos 45 anos e na pós-menopausa

Ludimila Honorato, O Estado de S.Paulo

13 Dezembro 2017 | 07h00

Um estudo internacional inédito, que comparou dois ativos contra a osteoporose, mostrou que a teriparatida reduz em mais da metade o risco de novas fraturas vertebrais em mulheres com a doença em estágio grave. Os resultados foram publicados no começo de novembro na revista científica The Lancet e contou com a participação de 1.360 mulheres acima dos 45 anos e na pós-menopausa do Brasil e de mais 14 países da Europa, América do Norte e América do Sul.

O composto estimula a célula que forma os ossos - chamada osteoblasto - e apresentou melhor resultado que o risedronato, que age para diminuir a ação da célula responsável pelo processo natural de perda óssea, o osteoclasto.

O estudo dividiu as mulheres igualmente em dois grupos: um recebeu aplicação diária, subcutânea, de 20mcg de teriparatida mais placebo oral semanal, e o outro ingeriu 35g de risedronato semanalmente mais injeção diária de placebo. Todas as participantes já apresentavam fraturas e 72% tinham feito algum tratamento com medicação.

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Ao final dos dois anos de acompanhamento, a teriparatida reduziu em 56% o risco de novas fraturas vertebrais - foram 28 casos contra 64 do grupo do risedronato. O composto também diminuiu em 54% a incidência de fraturas novas e agravadas (piora das fraturas leves já existentes), além de reduzir em 52% o risco de fraturas clínicas, aquelas que apresentam sintomas. Mulheres que não melhoraram com a terapia anterior ao estudo também tiveram bons resultados com a teriparatida.

"Os dois medicamentos são bons, a escolha depende muito do paciente e do médico. Mas na osteoporose grave, em que já existe fratura, a teriparatida foi significativamente mais eficiente", diz Cristiano Zerbini, reumatologista do Hospital Sírio Libanês e um dos coautores do estudo. O reumatologista explica que a teriparatida é usada em casos mais graves da osteoporose, em que a perda óssea está adiantada e existe fratura. Os resultados positivos, segundo ele, também valeriam para os homens.

O médico explica que as fraturas da osteoporose ocorrem, principalmente, nas vértebras, além de no osso do punho e fêmur. A maioria delas é assintomática e apenas 1/3 das pessoas com fratura vertebral tem dor. Os demais pacientes nada sentem porque as fraturas são pequenas e a doença só é percebida quando há diminuição da estatura. O diagnóstico é feito por meio de um exame de imagem e o problema é constatado quando há 25% de perda óssea.

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Grupo de risco. A partir dos 45 anos, o esqueleto humano passa por uma perda natural da massa óssea de 0,5 % ao ano. Por vezes, a célula responsável pela perda óssea pode atuar mais do que aquela que forma os ossos, o que agrava o processo e aumenta o risco de fratura. O problema é mais frequente em mulheres após a menopausa, uma vez que o estrógeno - hormônio feminino que, entre outras funções, é um grande protetor dos ossos - diminui, o que pode acelerar o desgaste ósseo.

Além disso, a constituição do esqueleto humano faz com que o da mulher seja mais delicado que o do homem. Zerbini explica que, por ordem de resistência, o do homem negro é mais forte, depois vem o da mulher negra, homem branco e mulher branca. Nos homens, a osteoporose aparece por volta dos 70 anos, e a incidência é de um homem para oito ou dez mulheres, ele diz. Isso ocorre porque a testosterona persiste em um nível adequado por mais tempo neles, embora não seja tão potente na proteção dos ossos quanto o estrógeno. O reumatologista diz que, até nos homens, os ossos são protegidos pelo pouco estrógeno que há no organismo.

Ingestão de cálcio. O consumo de cálcio - que contribui para evitar a osteoporose - pelas mulheres também é inadequado. O Estudo Latino-Americano de Nutrição e Saúde avaliou questões nutricionais na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, Peru e Venezuela e mostrou que, nesses países, 93% delas com idade igual ou superior a 45 anos não consomem o ideal recomendado - uma média de mil miligramas por dia. No Brasil, o índice chega a quase 100%.

"Um dos principais fatores é o desconhecimento da importância desse mineral e das fontes de cálcio mais importantes e alternativas", diz Marianella Herrera Cuenca, diretora do Observatório Venezuelano de Saúde e membro do Conselho Executivo da Fundação Bengoa, que apresentou os dados em outubro no Congresso Internacional de Nutrição.

Segundo a especialista em nutrição, o cálcio também é importante para a saúde cardiovascular e estudos indicam a relação entre o déficit desse mineral e a presença de sobrepeso ou obesidade. Assim, o consumo adequado tem impacto na perda de peso em mulheres obesas.

Prevenção. Cerca de 90% do nosso esqueleto é formado até os 20 anos de idade e até os 30 está completo. Dos 30 aos 45, a massa óssea fica estável, e tudo o que é perdido pelo osteoclasto, o osteoblasto repõe. Cristiano Zerbini afirma que a principal forma de prevenir a doença é o consumo adequado de leite e derivados, que é parte da dieta mais rica em cálcio. Para quem não consome laticínios, outras fontes desse mineral são os vegetais verde-escuros (brócolis, agrião, couve-manteiga, espinafre), castanhas e sementes (gergelim, amêndoas, nozes) e leguminosas (soja, feijão, grão-de-bico).

A vitamina D também é importante, pois age no intestino para a absorção do cálcio, levando-o para a circulação. Para obtê-la, o médico indica expor a pele ao sol por 20 minutos, três vezes por semana. Marianella observa, porém, que não se pode assumir que somente a exposição à luz solar forneça a vitamina, uma vez que as pessoas não estão expostas ao sol em grande parte do tempo. Laranja, peixes, ovo, fígado e cogumelos também são fontes dessa vitamina. Outra recomendação é a prática de exercícios físicos, pois "músculos tensos fazem ossos", diz Zerbini.

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