Medicamento experimental ZMapp cura 100% de macacos de laboratório com Ebola

Até os animais que apresentavam febre e características hemorrágicas da doença sobreviveram após tratamento com a droga

SHARON BEGLEY, REUTERS

29 Agosto 2014 | 15h47

A droga experimental ZMapp curou os 18 macacos de laboratório infectados com o vírus do Ebola, inclusive os que sofreram com febre e características hemorrágicas da doença e estavam perto de morrer, disseram cientistas nesta sexta-feira.

Até macacos que ficaram sem tratamento durante cinco dias depois da infecção sobreviveram. Nenhuma outra terapia experimental para o Ebola jamais teve sucesso em primatas quando aplicada tanto tempo após a contaminação – os cinco dias para os macacos são equivalentes a 11 dias após a infecção em humanos.

Embora dois trabalhadores médicos norte-americanos que contraíram o Ebola na Libéria tenham sido curados depois de receber o ZMapp, os médicos não sabem se o medicamento ajudou. Um médico da Libéria com a doença morreu esta semana apesar de receber a droga, assim como um padre espanhol.

O ZMapp, produzido pela Mapp Biopharmaceutical, sediada em San Diego, nos Estados Unidos, nunca foi cientificamente testado em humanos, e o estudo atual foi o primeiro com primatas. O sucesso, por isso, é uma "conquista monumental", disse o virologista Thomas Geisbert, da Unidade Médica da Universidade do Texas, em um comentário sobre o experimento, publicada online na revista Nature.

O ZMapp é uma mistura de três anticorpos que se prendem às proteínas do vírus do Ebola e ativam o sistema imunológico para que este o destrua. Dois coquetéis de anticorpos anteriores do Zmapp só protegeram 43 por cento dos macacos quando ministrados até cinco dias após o contágio.

Não há vacinas ou tratamentos para o Ebola, mas testes de segurança de uma vacina da GlaxoSmithKline com humanos serão iniciados na semana que vem, e os da empresa farmacêutica NewLink Genetics no outono norte-americano.

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