Axel Schmidt/Reuters
Axel Schmidt/Reuters

Medicamento reduziria em 79% risco de forma grave da covid-19

Testado em 101 pacientes e ainda não revisto por pares, tratamento inalatório desenvolvido por laboratório britânico usa uma proteína natural que está envolvida na resposta do organismo ao vírus

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2020 | 09h44

Um medicamento chamado SNG001 reduziria em 79% o risco de se desenvolver uma forma grave da doença covid-19, apontam resultados preliminares divulgados nesta segunda-feira (20) pelo laboratório britânico que o produziu, Synairgen. Este tratamento inalado usa interferon beta, uma proteína natural que está envolvida na resposta do organismo aos vírus.

O estudo realizado pela Universidade de Southampton em 101 pacientes, de 30 de março a 27 de maio, concluiu que aqueles tratados com o medicamento têm 79% menos chances, em relação aos que receberam o placebo, de desenvolver formas graves da doença. Essas formas obrigam ao uso de respirador e podem levar à morte.

Os pacientes tratados com SNG001 têm duas vezes mais chances de se recuperar a ponto de retomar suas atividades diárias, como se não tivessem sido infectados, do que aqueles que receberam um placebo. Três dos pacientes (6%) tratados com placebo morreram, enquanto não houve mortes entre aqueles que foram tratados com SNG001.

O estudo foi realizado em uma amostra relativamente pequena de pacientes e ainda não teve revisão por pares, mas poderia revolucionar a maneira como a covid-19 é tratada.

"Os resultados confirmam nossa crença de que o interferon beta tem um enorme potencial como tratamento inalatório para restaurar a resposta imune dos pulmões, melhorando a proteção, acelerando a recuperação e combatendo o impacto do vírus Sars-CoV-2", declarou o professor Tom Wilkinson, professor de medicina respiratória da Universidade de Southampton, que liderou o estudo.

Até agora, apenas um medicamento, a dexametasona, provou ser eficaz para salvar pacientes da covid-19. Outro tratamento, o antiviral remdesivir, reduz o tempo de internação, mas não a mortalidade.

Resposta imunológica ao coronavírus

Os casos mais graves de infecção pelo novo coronavírus tem uma assinatura única, segundo estudo de cientistas franceses publicado na revista Science. Trata-se de uma inflamação exacerbada e deficiência na resposta imunológica do interferon do tipo 1, uma proteína que ajuda a combater as infecções virais.

O trabalho sugere que uma produção maior de interferon - proteína utilizada no medicamento do laboratório Synairgen - poderia ser benéfica no combate à doença. /Com AFP

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