Medicamentos escasseiam com greve de fiscais

A greve dos fiscais da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nos aeroportos e portos do brasileiros, que completa hoje 57 dias, já compromete o abastecimento e a produção de diversos medicamentos. Portadores de doenças como o mal de Alzheimer, Parkinson, hipertensão e diabetes, entre outros, que fazem uso contínuo de medicamentos, estão com dificuldades de encontrar o produto nas farmácias. Só no Porto de Santos, o maior do País, a paralisação já provocou prejuízos superiores a US$ 120 milhões , estima o Sindicato das Agências de Navegação do Estado de São Paulo (Sindamar). Segundo a entidade, mais de cem trabalhadores do setor foram demitidos desde o início da greve, em 21 de fevereiro. Falta matéria-prima Vários laboratórios enfrentam problemas em suas linhas de produção por falta de matéria-prima há mais de 15 dias. De acordo com a Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma), alguns já paralisaram linhas de produção de medicamentos essenciais. Entre eles, estão Fresenius, JP Farmacêutica, Novartis e Boehring Ingelheim. O diretor de Assuntos Corporativos da Novartis, Nelson Mussolini, informa que o laboratório interrompeu a produção de medicamentos como o Desferal (reduz a quantidade de ferro no organismo, principalmente em pacientes submetidos a transfusões de sangue), o Sandimun Neural (contra rejeição de órgãos transplantados) e o anti-hipertensivo Diovan. Além disso, já chegaram ao fim os estoques de algumas apresentações de remédios contra os males de Alzheimer e Parkinson. No laboratório Fresenius, que fabrica produtos usados em diálise (terapia de substituição da função renal), os estoques de insumos essenciais para hemodiálise e componentes para soluções de diálise peritoneal estão terminando. Esses produtos são indispensáveis para os mais de 40 mil pacientes renais crônicos existentes no País. Embarques bloqueados Levantamento feito pela Associação Brasileira dos Importadores de Equipamentos, Produtos e Suprimentos Médico-Hospitalares (Abimed) com 22 associadas aponta 770 embarques bloqueados no exterior, por falta de perspectiva de desembaraço no Brasil. Esses bloqueios envolvem US$ 28 milhões em mercadorias. A mesma pesquisa apontou a existência de 1.073 licenças de importação aguardando aprovação da Anvisa nos portos e aeroportos do País. De acordo com o comando de greve, cerca de 80% dos mais de 2,5 mil fiscais da Anvisa estão de braços cruzados, comprometendo a fiscalização nas principais portas de entrada do País. O que os grevistas querem é o enquadramento de 470 servidores requisitados de outros órgãos federais e a equiparação de seus vencimentos com os dos que foram admitidos por concurso no ano passado. "População fica refém" Em Santos, os armadores temem que essa greve se junte à da Receita Federal, marcada para 2 de maio. O presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo (PC do B), que esteve ontem em Santos, se manifestou contrário a greve. "A população fica refém da paralisação desse tipo de atividade", afirmou. Para José Eduardo Lopes, presidente do Sindamar, a negociação com o governo chegou a um impasse. "Eles têm tentado falar com o governo, mas não há perspectiva de término da greve." Lopes observa que o comando de greve quer estender o movimento para se juntar à paralisação dos servidores da Receita Federal. "Com isso, eles pretendem se fortalecer, porque a greve vai se desgastando e a estratégia é juntar as duas greves." Se isso se confirmar, "o quadro vai ficar muito ruim", diz Lopes. "Até que ponto esse grupo de 30 pessoas pode provocar tanto prejuízo?", questiona o presidente do Sindamar.

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