Medicamentos para doença de Gaucher serão produzidos em território nacional

Fábrica nacional da droga deve ser construída justamente na região metropolitana de Fortaleza, próximo da unidade da Unifor onde ficam as cabras clonadas transgênicas do projeto

Herton Escobar, O Estado de S. Paulo

14 Abril 2014 | 20h50

SÃO PAULO - A glucocerebrosidase é uma enzima que atua no metabolismo de lipídeos (gorduras). Portadores da doença de Gaucher possuem mutações que interferem na síntese dessa enzima, resultando num acúmulo de gordura dentro das células, que pode causar uma série de problemas, principalmente no fígado e no baço. O tratamento, portanto, consiste em repor essa enzima no organismo por meio da administração intravenosa de glucocerebrosidase ou outra proteína com função parecida.

Os dois medicamentos disponíveis no mercado internacional são produzidos pela Genzyme, nos EUA (utilizando células transgênicas de hamster), e pela Protalix Biotherapeutics , em Israel (utilizando células transgênicas de cenoura). Em junho de 2013, a Protalix assinou um acordo com o governo brasileiro para transferir sua tecnologia de produção para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) num prazo de sete anos - durante os quais o Ministério da Saúde, em contrapartida, deverá comprar, no mínimo, US$ 280 milhões do medicamento da empresa, até que ela possa ser produzida no País.

A fábrica nacional da droga, ironicamente, deverá ser construída justamente na região metropolitana de Fortaleza, próximo da unidade da Unifor onde ficam as cabras transgênicas do projeto.

Luciana destaca que o objetivo não é apenas produzir uma cabra clonada, publicar um trabalho científico e parar por aí. "Queremos gerar um produto que seja eficiente e acessível àqueles que precisam dele; esse é o nosso sonho", diz. O projeto vem sendo desenvolvido há três anos e foi financiado principalmente pela Finep (R$ 2,5 milhões), com apoio também da Fundação Edson Queiroz, Unifor e Agropecuária Esperança.

Diarreia. O mesmo grupo da Unifor tem um projeto semelhante para produzir cabras transgênicas com os genes de lisozima e da lactoferrina, duas proteínas importantes para o combate à diarreia infantil no semiárido nordestino. A cabrita transgênica (mas não clonada) Lisa, nascida no ano passado, deu à luz uma cabritinha no fim de março, e suas células já estão sendo usadas para produzir embriões clonados com os genes das duas proteínas embutidos.

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