Medicina da adoção busca anomalias de órfãos em fotos

Dmitry, um órfão russo de 15 meses, sorri na foto do dr. Dana Johnson na Clínica Internacional de Adoção na Universidade de Minnesota, nos EUA. Johnson busca evidências da síndrome alcoólica fetal. Para tanto, precisa de uma foto de Dmitry olhando diretamente para a câmera. Johnson, pioneiro na medicina de adoção, está tentando avaliar a saúde de Dmitry para uma família que quer adotá-lo. Escanear a foto de uma criança de país em desenvolvimento transformou-se numa prática comum e confiável para descobrir anomalias visíveis - problemas geralmente ocultos em prontuários de orfanatos. Johnson vai requerer mais informações. Mesmo que Dmitry comprove ser perfeitamente saudável no papel, Johnson alertará seus pais em potencial de que algumas crianças órfãs são marcadas pela saúde deficiente e por deficiências de desenvolvimento. Sintonia Talvez a advertência venha a fazer com que Dmitry perca um lar. Talvez a família a ignore porque anseia por um filho. O melhor resultado, segundo Johnson, é que eles irão em frente preparados para os desafios que possam surgir. "Qualquer criança se sai melhor numa situação na qual as expectativas da família e as capacidades da crianças estão em sintonia.Uma criança com baixo potencial inserida num ambiente com altas expectativas é uma receita de desastre." Desde que Johnson abriu sua clínica, em 1986, a primeira dos EUA, 200 médicos engrossaram as fileiras dos especialistas em adoção. A especialidade foi reconhecida pela Academia Americana de Pediatria. Nesse período, o número de adoções internacionais triplicou - 20 mil por ano. "Terra de ninguém" Diferentemente do rígido sistema americano, a adoção internacional continua sendo uma terra de ninguém. São abundantes os "facilitadores" sem licença. Para piorar, há técnicas de marketing para crianças mais velhas ou com má saúde. Isso inclui fotos na internet e programas que inserem crianças por um breve período com famílias anfitriãs. Ambos os métodos podem resultar em tomadas de decisão por impulso. Uma família despreparada pode ser surpreendida quando o filho adotivo apresenta retardo no desenvolvimento motor e dificuldades de afeto, muito comuns em crianças que deixam instituições para um lar permanente. Os pesquisadores descobriram que as variáveis críticas são o período de tempo em que a criança esteve institucionalizada e as condições da instituição. As famílias lidam melhor com problema de saúde do que com problema de comportamento e que não é prudente adotar mais de uma criança ao mesmo tempo, a não ser irmãos. As informações são do jornal The New York Times.

Agencia Estado,

04 de janeiro de 2006 | 15h34

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